Que dizer nesta data tão celebrada no mundo e que na verdade nos lembra da essência de nossas vidas. Do ponto de vista das feministas temos que evidenciar as diversas conquistas, como o voto, a participação nas eleições, o momento certo de se decidir pela maternidade, a carreira.

Do ponto de vista do ser humano temos que admitir que nos extasiamos diante de um vaso de flores, que titubeamos em momentos  que temos que tomar decisões. Podemos afirmar que nada disso é fácil. Particularmente se pudesse recomeçar confesso que muitas coisas eu não faria ou faria diferente.

Longe de nos considerarmos vítimas e aí estou falando de mulheres negras, sabemos que nossa missão é para além do supérfluo quando temos sob nossa responsabilidade a condução de nossas famílias. Afirmamos isso quando olhamos para as vidas de Carolina de Jesus, que se estivesse viva completaria no dia 14 próximo cem anos. A sensibilidade que ela demonstra ao escrever seu livro "Quarto de Despejo" leva-nos a pensar que ela pressentia que estava escrevendo uma obra que perpetuaria. A vida dela sintetiza a vida de muitas mulheres negras, que com sua obstinação, com sua coragem passa pela vida com a certeza de que é forte o suficiente para vencer todos os obstáculos.

Às vezes fico imaginando como foi o momento em que a americana Rosa Parker enfrentou aquilo que lhe era imposto e fez valer a sua dignidade com uma coragem ímpar. Não foi fácil para Theodosina Ribeiro ser a única mulher negra em uma Câmara Municipal e na Assembléia Legislativa de São Paulo, assim como não é fácil para a deputada Leci Brandão ser a única mulher negra em um espaço que pouco é ocupado por mulheres e, especialmente, por mulheres negras.

Quantas mulheres negras anônimas estão no enfrentamento diário de uma oportunidade no mercado de trabalho, na luta pela sobrevivência e são vencedoras, não por acúmulo de riqueza, mas por acúmulo de coragem, de superação de obstáculos cotidianamente. Se contabilizássemos cada momento de nossas vidas seria um filme de longa metragem, começando por nossa infância, passando pela adolescência, onde sonhos foram engavetados e chegando à fase adulta com a certeza de que temos que lutar, provar e comprovar que somos capazes.  

Que mulher não admira a beleza e a postura de Michele Obama, o poder de Oprah, a delicadeza de Daiane dos Santos. Mas nem tudo são flores. E mesmo assim continuamos nossa trajetória em busca de um mundo melhor.

Salve todas as Mulheres!

 

 

 

Elisa Lucas Rodrigues