E umas muito recentes! Eu não estava cansado da luta, não, mas sim das brigas. E por outro lado, eu estava ali para estudar, apenas. “Brigar pra provar que sou negro”, era possível isso? Sim. Por que eu estava sendo perseguido causa de que eu era preto e também se dizer negro, quando negro para eles era uma outra coisa. Pode? Meu filho diz que sim, “pois acontece”, segundo ele… E eu aguardo o desfecho.
Antigamente queriam que eu me negasse enquanto negro, queriam que eu dissesse, mesmo contra a minha vontade e que tão somente, mas queriam que eu me declarasse também mulato.
Que eu tinha avô português ou espanhol… Mas se fosse italiano seria melhor ainda – descendentes de alemães já era coisa rara, como que os alemães não tivessem participado da putaria. “Pois isto era bonito”, segundo eles.
Pode (só vou perguntar somente três vezes)? E, demais a mais, briga é coisa de medíocre, de gente chula… Mas, em contrapartida tem umas que são boas, dependendo do momento e ocasião. E outras algumas são quase impossíveis se livrar delas. Arre!!! (ou será “amém”?).
E a minha principal briga é a de provar, também, que sou consciente. Inteligência? Bem, não vamos nem discutir isso! Eles nunca acreditaram que eu a tenho.
Desde criança, eu sempre me soube negro, ou preto, ou sei lá… Eu era qualquer coisa desta que todos diziam não prestar. Mas para mim… Que prestava. Como que eu não prestava? Fora uma longa contenda. De mim para comigo mesmo. E de ambos, eu e eu mesmo, versos todo-mundo. Coisas da guerra. Guerra esta que entrei à minha total revelia. Nasci nela. Fiquei sabendo somente bem depois, mas não adiantou isso.
Mas, o chamado século vinte e um (XXI) chegou. O ansiado “século das luzes”, século de Aquárius, senão, pelo menos da inteligência (?), já tão também ansiada que necessária.
Manifestação de pessimismo à parte… Não era bem isso que eu esperava deste século. Ansiando por ter chegado ao poder uma mulher, e a aclamarmos na panacéia… Sem ao menos saber quem ela é. Para se conhecer um homem basta lhe dar poder… E a mulher também.
Ambos são humanos… Menos nós? Eu já disse no passado e repito: não são todos os brancos que são ruins. Eu concordo. Mas também concordo que não são todos que são bons. A lógica, as estatísticas e a prática comprovam isso. E então, como é que ficamos?
Se ficarmos no empate então seremos obrigados a apelar para a matemática e definirmos quem são os bons e quem são os maus. O lado que tiver mais deles será o vencedor. Agora basta criar critérios. Tudo muito simples. Creio que o movimento negro está apenas querendo deturpar, ganhar tempo, para eles.
Bem, o tema era consciência negra – e eu já fiz isso anteriormente e ninguém ligou, mas nunca é demais ou custa repeti-lo, se não encontrou êxitos nas vezes anteriores. A vida é isso, é assim, um eterno recomeçar. Por mais maçante que isso seja. Vejamos o que diz o dicionário:
“Consciência”. (Do lat. conscientia).| S. f. 1. Filos. Atributo altamente desenvolvido na espécie humana e que se define por uma oposição básica: é o atributo pelo qual o homem toma em relação ao mundo (e, posteriormente, em relação aos chamados estados interiores, subjetivos). Aquela distância em que se cria a possibilidade de níveis mais alta de integração. 2. P. ext. Conhecimento deste atributo. 3. Faculdade de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados: uma consciência reta; consciência torturada. Para quaisquer contestações: Novo Dicionário Aurélio, página 457 “”.
Porquanto, nós da resistência nos sentimos desresponsabilizados de discutir este assunto. Que, aliás, não é assunto nosso. Todavia, insistimos, e eu pessoalmente, que: se o negro brasileiro é de fato consciente eu vou reivindicar a minha origem nórdica. E negar tudo o que eu disse até hoje. Eu aposto alto por que sei que dificilmente perco.
No entanto, isso não é coisa para ninguém se amofinar não. Muito pelo contrário, enaltecer. A flama foi lançada. Agora, o negro brasileiro terá, ainda, que provar, que a tem, doce e singela consciência. E há muita coisa a fazer. Apenas para provar que temos direito do que é nosso.
Temos que provar para quem não tem o mínimo interesse em nos entender. Pois nos deve. O negro brasileiro precisa provar a que veio. E não ficar acreditando que a “Sinhá” virá salvá-lo de do calvário e de todos os males que o aflige, já que os teus “Sinhôs” falharam. Ou se omitiram. Isso, apresentado até então, não é consciência, é servidão, passiva e absurda. Por que não tem razão de existir. Ou pelo menos não estava “combinado”!
A semana instituída está aí, e já há alguém falando que há um movimento para extinguir o feriado. Mas que feriado? E nós precisamos deles? E outro rebate que “todos estes anos estes boatos sempre ocorrem”.
O negro brasileiro se prepara para criar mais um espetáculo… Que quando começar a dar dinheiro… Entrega-o nas mãos dos brancos. Ah! Ainda acompanhado de mulheres. E que mulheres! Isso por que ele é um cara legal… E o branco bom.
A nós outros somente nos restam nos resguardar nos aconchegos de nossos corações e comemorarmos a honra de sermos netos deste ser místico personagem: Zumbi de Angola Janga.
O patrono da resistência negra no Brasil, e nas demais diásporas africanas. E óbvio, exaltarmos a resistência dos povos jagas, de Angola, dos quais Zumbi também descendia. Mas consciência? Esta está ainda por chegar…
São Paulo, 9 de novembro de 2010.
PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!
O título original do artigo é “20 de Novembro – Dia Nacional da Inconsciência Negra no Brasil”.

Neninho de Obalúwáiyé