Diadema/SP – Diadema, na região do ABC paulista, poderá ser a primeira cidade brasileira a desenvolver o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, levando em conta a presença da população negra. Proposta nesse sentido foi apresentada pelo presidente da Associação Nacional de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros (Anceabra), João Bosco de Oliveira Borba, em reunião com o vice-prefeito Joel Fonseca (o segundo da direita para a esquerda na foto).
Diadema é a cidade no ABC, percentualmente com maior população negra – 41,2% da população total. Segundo estudo do professor Marcelo Paixão, com base no Censo do IBGE 2000, 51,9% da população negra de Diadema vive abaixo da linha de pobreza. Fonseca é o único negro na região a ocupar o cargo de vice-prefeito e assumiu durante o período em que o titular José di Fillipi se licenciou para assumir a tesouraria da campanha do Presidente Luis Inácio Lula da Silva à reeleição. O vice-prefeito foi receptivo à idéia e ficou de estudar a proposta e marcar reunião nas próximas semanas para discutir o assunto.
“A comunidade negra está majoritariamente nas favelas e mocambos. O fato das obras serem tocadas por empresários afro-brasileiros representa um diferencial importante, porque nós temos identidade com a comunidade. Sabemos de suas aspirações, do ponto de vista familiar, cultural e comunitária”, afirmou.
O PAC – o principal projeto do Governo federal na área econômica -, prevê a aplicação de R$ 54 bilhões nos próximos quatro anos em obras de urbanização de favelas e saneamento básico – 3,4 bilhões a serem liberados até dezembro deste ano. Para as cidades do ABC – entre as quais Diadema – está prevista até 2.010 a destinação de R$ 572, 1 milhões.
A Anceabra quer que pelo menos 1% desses recursos seja aplicado em obras que beneficiem diretamente a população negra. “Esse é o projeto que tem mais alcance social para a comunidade negra. Diadema por ter um vice-prefeito negro pode ser a primeira cidade a implementar um PAC levando em conta a dimensão étnico-racial”, disse Borba, que é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico, o Conselhão, do Governo Federal, onde representa os empresários e empreendedores negros no Grupo de Trabalho de Infra-Estrutura e Desenvolvimento.
O projeto entregue por Bosco ao vice- prefeito prevê consultoria e construção nas obras de reurbanização de favelas e palafitas. A idéia é buscar profissionais negros em todas as áreas (sociólogos, engenheiros, arquitetos) possibilitando sua participação efetiva, como uma modalidade de ação afirmativa no campo econômico para as empresas comandadas por afro-brasileiros. “Nós só queremos ter oportunidades, porque competência nós já temos. Se isso não acontecer, corre-se o risco de ganharem os mesmos”, disse, acrescentando que uma forma de ação afirmativa poderia ser a adoção de critério de desempate nas concorrências públicas. “Essa será uma revolução de fato, que pode ser feita”, concluiu.

Da Redacao