S. Paulo – A pesquisa que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese) tradicionalmente divulga no mês de novembro repete os números de outros indicadores, mas desta vez trás uma novidade que, normalmente passa sem ser notada em outros levantamentos: a evolução da escolaridade não beneficia igualmente negros e brancos. Segundo a pesquisa um homem negro com ensino superior completo recebe 27,7% menos que um não não-negro com a mesma escolaridade, o que evidencia que apenas o acesso à educação não é suficiente para eliminar os efeitos do racismo.
O estudo, feito com dados da Pesquisa de emprego entre agosto de 2006 e julho 2007, revela que um homem negro com ensino superior completo hoje ganha, em média, R$ 13,00 por hora, enquanto um não-negro com a mesma escolaridade recebe R$ 18,00.
Segundo a economista Patrícia Lino Costa, a discriminação no mercado de trabalho é uma evidência: “E preciso olhar essa parcela da população e criar condições para que sua entrada e ascenção profissional não seja barrada por sua aparência”, afirmou.
Ela acrescenta que o problema fica pior com a mistura das variáveis de raça e gênero. Na maioria das regiões metropolitanas consideradas pelo estudo do Dieese (Belo Horizonte-MG, Porto Alegre-RS, Salvador-BA e São Paulo-SP), a taxa de desemprego de homens não -negros é pelo menos 50% inferior a das mulheres negras, além destas ganharem ainda menos que homens negros, ocupando a base da pirâmide social.
Universidade
O estudo também mostra que negros demoram mais para chegar à Universidade, apesar das políticas de cotas adotadas em cerca de 50 universidades brasileiras. Em São Paulo, por exemplo, 18,9% dos não-negros tem acesso ao ensino superior completo. A média entre os negros é 3,9% portanto, cinco vezes menor.
Até mesmo em Salvador, onde os negros correspondem a 80% da população, 28,3% dos brancos têm acesso ao ensino superior, contra apenas 7,5% dos negros.

Da Redacao