Brasília – Em um país em que negros (pretos e pardos) correspondem a 53,1% da população, de acordo com a mais recente Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio do IBGE (PNAD 2013), a presidente Dilma Rousseff optou por um Supremo Tribunal Federal – a mais alta corte do país – 100% branco.

É o que demonstra a indicação pela Presidente do advogado Luis Edson Fachin, como novo ministro do STF em substituição a Joaquim Barbosa, que se aposentou em julho de 2014, até então o único negro a integrar o colegiado de 11 ministros em toda a história do país.

O novo indicado é advogado e titular de Direito Civil da Faculdade de Direito do Paraná. Também é professor visitante do King’s College, na Inglaterra, e pesquisador convidado do Instituto Max Planck, na Alemanha. Ele ainda terá que ser sabatinado pelo Senado, porém, sua aprovação é dada como certa e, assim, Fachin se tornará o décimo primeiro integrante da Corte – todos brancos.

Esplanada

A opção preferencial de Dilma pode ser constatada na Esplanada dos ministérios. Ela não nomeou nenhum ministro negro para o segundo mandato.

A única negra a integrar a equipe que tomou posse no dia 1º de janeiro deste ano é a professora Nilma Lino Gomes (foto), nomeada para a Seppir – Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Presidência da República. A Seppir, embora tenha status de ministério, é apenas uma Secretaria Especial, o que se reflete no orçamento reduzido e na quase nula influência que exerce na Esplanada.

No primeiro mandato dos governos do PT, em 2003, a Esplanada chegou a ter 4 ministros negros em cargos de inlfuência como o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Cultura, ocupados, respectivamente, pela ex-senadora Marina Silva e pelo cantor Gilberto Gil.

Da Redacao