Brasília – Com a presença da presidente da República, quatorze ministros de Estado, senadores e deputados federais, e num clima de pré-campanha eleitoral, foi aberta, nesta terça-feira (05/11), a III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), com o tema "Democracia e Desenvolvimento sem racismo: por um Brasil afirmativo". A Conferência reúne até amanhã (07/11), no Centro de Convenções de Brasília, 1.400 delegados (as) entre convidados, autoridades e membros do Poder Público. 

Na abertura Dilma assinou mensagem do Projeto de Lei que será encaminhado ao Congresso criando cotas (20%) para negros no serviço público, disse que as comunidades quilombolas terão prioridade no recebimento de profissionais do Programa Mais Médicos, que o Ministério da Saúde terá uma instância específica para coordenar questões da população negra e prometeu que o Governo Federal dará respaldo ao Programa Juventude Viva, entre outras medidas de impacto eleitoral.

Mesa

Além da presidente e dos ministros presentes, compuseram a mesa de abertura do evento três membros do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial: Arilson Ventura, representante do segmento comunidade quilombola; Barbara Angely Piemonte Silva, representante da comunidade cigana e Maria Julia Reis Nogueira, representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a quem coube o discurso de abertura.

Segundo Maria Júlia, mesmo representando 51% da população brasileira, conforme o último censo do IBGE, as condições de vida das pessoas pardas ou negras  “deixam a desejar”. Ela citou pesquisa que aponta que jovem negro corre quatro vezes mais risco de morrer que jovem branco e elogiou o programa Juventude Viva.

Ao ressaltar o “reconhecimento pelo esforço do governo”, ela falou ainda de metas a serem alcançadas: política de permanência de estudantes, no ensino superior e na educação básica, titulação de terras quilombolas, fim dos autos de resistência (argumento usado pelas polícias militares para justificar o assassinato de inocentes, em sua maioria, negros) e cotas raciais no serviço público federal. 

Empreendedorismo

Em seguida falou a ministra Luiza Bairros, chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial que, antes de seu pronunciamento, assinou com o Sebrae um acordo para estimular o empreendedorismo negro e com o ministério da Micro e Pequena Empresa, uma parceria para estimular o artesanato quilombola.

Bairros destacou que a Conferência constituiu um momento de definição de prioridades “na agenda de enfrentamento ao racismo e promoção da igualdade racial”. Em sua análise, há um contexto de mudança decorrente das ações do movimento negro e das iniciativas governamentais, com avanços no marco regulatório. No entanto, avalia, “é preciso potencializar o salto qualitativo”. Segundo a ministra, o Brasil foi o país que mais investiu na promoção da igualdade racial no século XXI, mas as desigualdades permanecem.

Da Redacao