"Há questões emergenciais no combate ao racismo que podem e devem se dar até mesmo por iniciativa unilateral da presidência, tais como a titulação e demarcação de territórios quilombolas e indígenas; a federalização de casos emblemáticos de violência policial tal qual os Crimes de Maio de 2006 em São Paulo; a transformação do Plano Juventude Viva em um Programa sério, com recursos suficientes à sua necessidade; ou ainda a criação de um Fundo de Reparação Histórica e Humanitária para os descendentes da população escravizada e indígena no Brasil. Mas para isso é necessário, por parte do Governo, mais que palavras e tapinhas nas costas, e por parte dos movimentos, uma mobilização de negras e negros organizados que, a partir de uma plataforma unificada e radical – no sentido positivo do termo, seja capaz de fazer do combate ao racismo e do tema das Reparação Históricas, algo que não possa ser ignorado. Desconfio de que estamos distantes de ambas as situações" – Douglas Belchior

Foram patéticas e vergonhosas as declarações, em vídeo, dos convidados da presidente, após o encontro dela com os esportistas e representantes do “MN” [Movimento Negro], na última quinta feira. Dilma se se importa só com a oportunidade de capitalizar, na mídia, com a presença do jogador Tinga e do juiz gaúcho. O “MN” presente também.

Dois dias depois, o racismo fez uma vitima: Mulher negra, trabalhadora e mãe de 04 filhos, é baleada, provavelmente por policiais, quando voltava da padaria, com o café para os filhos. Recolhida, por eles, jogada com brutalidade, no chiqueirinho de um camburão, com a porta aberta, foi projetada e arrastada por quase 300 metros. Morreu em virtude do pouco caso e da brutalidade infame desses animais, ralada no asfalto.

Não se avexe o leitor, prevíamos isso, e tive a oportunidade de dizê-lo, antes da viagem, ao Douglas (exceção à regra entre os convidados), de que a maioria dos presentes, era o “MN” endossador, o “MN” do sim senhor, ávido por bajular o poder e ser fotografado com a suprema mandatária do país. O Racismo é endêmico, no Brasil, só Dilma e seus amigos “MN” governista não sabem.

Estava claro que o objetivo era tirar uma foto com os pretinhos, para dizer que se preocupa com eles.

Na verdade, as intenções de “tia” Dilma e seus marqueteiros, era criar um cenário de autopromoção eleitoreira, preocupada com a repercussão doméstica, e com o que vão dizer lá fora. Chamou o “MN” para fazer mis-en-scène, antes que aqueles eventos contaminem as manifestações pré/ante – Copa, tentando evitar que, uma vez irradiadas mundialmente, prejudiquem seu objetivo maior, a reeleição, contando com o sucesso do torneio internacional.

Sobre o Brasil e seu racismo historicamente negado, ela não se preocupa, com a violência e o genocídio racista de seus nacionais, cujos cadáveres daria pra encher uma boate Kiss, a cada 02 dias, ela não se solidariza. Prefere a companhia de nossos desafetos, os latifundiários e os ruralistas de dona Katia Abreu, os banqueiros, os empreiteiros, os exportadores do agronegócio, a direita parlamentar, ao povo. Deles só quer o voto.

O que surpreende é a desfaçatez e o descaramento patético daqueles que, dizendo-se representantes do MN, se calam diante da mandatária-mor, e não lhe cobrando medidas práticas de afirmação e defesa da vida de cidadãos brasileiros, que diz a constituição sobre direitos humanos e da cidadania, bem como, o cumprimento da lei que está sobre sua jurisdição e responsabilidade.

Digamos que tais “representantes” aceitaram o convite para legitimar a cena da foto da presidente jogando para a plateia, para bajularem a mandatária-mor, ou, o que não quero acreditar: foram só para não perder as passagens, o almoço e o hotel 4 estrelas.

– Por Uma Organização Política Negra, Para Lutar, Autônomo e Independente, em relação a governos e partidos!

– Por um Projeto Politico de Nação, do Povo Negro e Indígena para Todos os Brasileiros!

– Por Reparações Históricas e Humanitárias para descendentes de africanos escravizados e para os indígenas!

 

Reginaldo Bispo