Brasília – Antes de confirmar o nome da socióloga Luiza Bairros, a quem convidou para assumir a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), a presidente eleita Dilma Rousseff terá de resolver o que fará com a reivindicação pelo cargo de dois setores de peso da base de apoio da campanha e do Governo: o primeiro é do próprio PT de S. Paulo, que gostaria de ver na SEPPIR os deputados Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, ou Janete Pietá, de Guarulhos, na Grande S. Paulo.
Com a posse, tanto de Vicentinho quanto de Pietá na SEPPIR, o partido veria solucionado um problema que tem ocupado alguns dirigentes: como fazer com que o deputado José Genoíno, o 1º suplente, um dos réus no caso do mensalão, mantenha o mandato e não perca a imunidade parlamentar.
O outro pleito é do PC do B, cujo presidente Renato Rebelo manifestou a Dilma o desejo do Partido de dirigir a SEPPIR e entregou a Presidente eleita o nome de Olívia Santana, vereadora de Salvador, dirigente na Bahia e ativista da UNEGRO – a corrente política que aglutina as lideranças negras do Partido.
O grupo do atual ministro Elói Pietá, que alimentava esperanças de ficar no cargo, de acordo com uma fonte da Equipe de Transição, não chega a ser problema porque não houve, propriamente, reivindicação de se manterem, nem seria o caso porque “todos já sabiam que ficariam até o dia 31 de dezembro – último dia de mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.
Nunca houve, portanto, nenhum pleito, e até mesmo a disposição de ficar em caso de convite, foi feita pelo ministro Elói Ferreira de Araújo, em entrevista exclusiva à Afropress, com o cuidado de não criar constrangimentos à Presidente eleita.
Contudo, no caso do PT de S. Paulo e do PC do B, o problema persiste, já que a demanda foi posta e os interesses em jogo não se limitam a quem ocupará a SEPPIR, mas envolve reivindicações de dois partidos – um deles, o próprio Partido da Presidente e do Presidente Lula; e outro, o PC do B, que tem sido um “aliado histórico” nas campanhas petistas desde 1.989.
Teria sido esse o sentido de, no anúncio do convite a Bairros, ter sido dito que a socióloga entrava como parte da cota pessoal da Presidente e a indicada caberia “costurar apoios nos movimentos sociais” – senha que sinalizaria com a existência de problemas a resolver.
À conferir.

Da Redacao