Brasília – Depois de dar praticamente como certa a extinção da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, no contexto do corte de 10 dos 39 ministérios anunciado pelo ministro do Planejamento Nelson Barbosa há cerca de 15 dias, numa tentativa desesperada de reduzir despesas, a presidente Dilma Rousseff voltou atrás e decidiu preservar a SEPPIR e a Secretaria das Mulheres da tesoura, segundo anuncia na edição desta quinta-feira (17/09), a colunista Mônica Bergamo, da Folha.

O anúncio, porém, ao invés de provocar comemorações é revelador da importância que esse ministério, criado em 2003 no primeiro Governo Lula, tem na Esplanada: a economia com os cortes seria insignificante e o desgaste político muito grande, tendo em vista que as duas pastas pretendem representar exatamente a maioria da população brasileira constituída por negros e mulheres.

Em análise técnica detalhada feita pela presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (IDESP), Maria Adelina Braglia, de 2013, a Afropress já demonstrou que a SEPPIR gastou mais na sua própria gestão e manutenção do que no Programa de Enfrentamento ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial. Os números são eloquentes: em 2013, para a gestão foram gastos R$ 23 milhões (R$ 23.030,30); para o Programa, R$ 16 milhões (16.939,75).

A exemplo da gestão anterior de Luiza Bairros, a atual ministra Nilma Lino Gomes, escolhida por Dilma pelo perfil técnico e acadêmico, isolou-se de tal forma que até mesmo negros das duas correntes da base de apoio ao PT e ao PCdoB, não escondem suas críticas e o desagrado com a gestão.

Da Redacao