Salvador/BA – Mestre em Direito Público pela Universidade de Brasília (UnB), João Jorge Rodrigues, 57 anos, diretor do Olodum – o mais afamado e conhecido bloco do planeta, segundo ele próprio -, fulmina: “Salvador, a capital baiana, é a campeã mundial do apartheid”, em especial no carnaval.

Na Entrevista da 2ª em que o Jornal Folha de S. Paulo reserva uma página ao entrevistado, João Jorge disse ao jornalista Nelson Barros Neto, que o carnaval é um retrato do Brasil atual: “discriminatório, segregado, com mecanismos que reproduzem o capitalismo brasileiro – a grande exclusão da maioria em benefício de uma minoria.”

“Seria ingenuidade esperar que no Carnaval de Salvador, de S. Paulo, do Recife ou do Rio nós tivéssemos democracia, oportunidade, igualdade. Você passa 359 dias no ano praticando toda forma de violência institucional, de racismo institucional, e você quer que em seis dias o Carnaval seja democrático?”, pergunta.

Terra de uma artista só

João Jorge faz ainda crítica ao fato de a Bahia ter virado a terra de uma artista só, no caso, Ivete Sangalo, e disse que a força de Sangalo e de Cláudia Leite vem do fato de serem cantoras brancas. “Se elas se imitam ou não, não posso dizer nada, é o mercado que elas escolheram. De serem cantoras brancas, que dominam todo o mercado de publicidade, todo o mercado de shows, e que uma compete com a outra”, acrescenta.

O presidente do Olodum disse que "a diversidade, que antes era riqueza do Carnaval, foi diminuindo e hoje o Ilê Aiyê, o Filhos de Gandhy, a Timbalada e o Olodum correm um pouco no meio disso". “Mas nos demais lugares você não tem novidades. A Bahia virou a terra uma de uma artista só. Parece que os outros estão todos mortos. (…) A festa faz de conta que está enriquecendo uma pessoa, mas na verdade, está empobrecendo uma cidade, um Estado”, finalizou.

Da Redacao