Salvador – As declarações do coordenador do Curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Antonio Dantas, 69 anos, ao atribuir o baixo rendimento dos alunos da Faculdade no Enade (tiveram Nota 2), ao “baixo QI dos baianos”, continua provocando a revolta, em especial, de lideranças negra, para quem as afirmações configuram racismo explícito contra os negros e a cultura negra.
Desde Nina Rodrigues – o médico baiano diretor e um dos fundadores da Faculdade de Medicina da Bahia, e o mais destacado expoente do racismo científico na foto – nenhuma personalidade pública de destaque jamais havia feito declarações desse tipo.
Segundo o presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues, Dantas mirou nos baianos, mas o que quis foi atingir os negros e a sua cultura. “O Olodum foi atacado por ele na entrevista da rádio por ser um símbolo do movimento negro do Brasil e que luta por políticas de ação afirmativa na Bahia e no Brasil junto com outras entidade e pessoas. Na realidade ele quis dar um recado dos racistas aos militantes anti-racistas e escolheu algo do nosso poder simbolico, o Olodum”, afirmou João Jorge. Ele acrescentou que a entidade entrará com representação contra Dantas no Ministério Público da Bahia.
Ofensas
Nas declarações, Dantas para ilustrar suposto baixo QI dos baianos disse que “o baiano toca berimbau porque só tem uma corda”. “Se tivesse mais cordas, não conseguiria”, afirmou, ressalvando haver exceções à regra.
As declarações foram atribuídas pelo governador Jaques Wagner (PT), a “um surto de imbecilidade” do coordenador. O reitor da UFBA, Naomar Almeida Filho pediu o afastamento de Dantas do cargo de coordenador do colegiado do Curso de Medicina, que agora depende da congregação da faculdade, que se reunirá nos próximos dias para discutir o assunto.

Da Redacao