Brasília – A prometida disposição para o diálogo por parte dos representantes dos supermercados e de grupos como o Pão de Açúçar, que controla o Supermercado Extra, e as Lojas Americanas, será colocada à prova no dia 15 deste mês, às 14h, em Brasília, quando deverá acontecer a reunião agendada no final da Audiência Pública no Senado.
O representante das Lojas Americanas, advogado Silzomar Furtado de Mendonça Júnior, prometeu comparecer e se disse disposto ao diálogo, recuando de manifestações em que, primeiro, fez a defesa da versão do agressor; depois disse que o caso não se enquadrava como racismo por que o agressor era afro-descendente e, por último, alegou que o segurança era funcionário não da Americanas, mas da empresa F& V Segurança.
Vaias
Sob vaias de ativistas da Educafro, e depois da manifestação do advogado Dojival Vieira, que considerou suas palavras “um insulto”, e cobrou a empresa que assuma a sua responsabilidade civil e administrativa indenizando a vítima e evitando interferir na investigação policial, Mendonça Júnior adotou tom conciliatório.
A reunião acontecerá na Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR) por sugestão do Ouvidor, Carlos Alberto de Souza e Silva Júnior, mas ainda não tem pauta definida. Silva Júnior disse que convidará todos os participantes da Audiência e que, dependendo da agenda, a própria ministra Luiza Bairros poderá comparecer para prestigiar a abertura do diálogo.
Tanto o Frei David Raimundo dos Santos, quanto o advogado Dojival Vieira, defenderam que o primeiro ponto da pauta desse encontro deve ser o início das negociações entre a empresa e a vítima, por meio de sua defesa, visando a indenização por danos morais e materiais, “sem o que nada mais que se discuta nesse contexto terá qualquer sentido e acabará servindo apenas para abafar o caso e retirá-lo do conhecimento da opinião pública”.

Da Redacao