Longe, muito longe, mais um espaço que normalmente seria ocupado por uma cultura excludente, mais não, a Rede Sesc mais uma vez mostrou que promove a diversidade cultural.
São Paulo ocupou o Sesc Itaquera numa tarde gostosa, harmoniosa e além do mais servirá como documentação de que as pessoas que moram em bairros periféricos, sabem sim, se comportar e como sabem.
Eram sacolas com latinhas de alumínio em toda parte, as mães que estavam com crianças, estenderam toalhas e pediam para não jogar nada na grama, eu presenciei pelo menos três famílias fazerem isso.
O que dizem por aí que os pobres não gostam de entretenimento a não ser a televisão também passou ser uma hipótese mentirosa, pois foi ter um espaço de lazer aberto para nós e lá estávamos, todos – sem confusão, sem alarde, sem violência, sem policiamento.
O que a mídia chama invasão eu chamo ocupação. Ocupamos, sim, o Sesc Itaquera, soubemos nos comportar, soubemos aplaudir e não houve nenhum foco de brigas ou desentendimento, pelo contrário, vimos um clima ameno.
Em toda parte que eu olhava tinha gente feliz, que cantava, aplaudia, reverenciava, ria, enfim uma diversão completa. Crianças, era o que não faltava, famílias inteiras se divertindo, e quebrando aquele imaginário que samba é coisa de gente desocupada.
E a fusão das comunidades da Zona Sul (Samba da Vela), Zona Oeste (Velha Guarda do Camisa) e Zona Leste ali representada por algumas comunidades, mas a principal era de São Mateus que emprestava o nome ao evento, e o destaque a madrinha de todos é a carioca Beth Carvalho, até pra mostrar que não existe bairrismo no Samba, que o Samba não esta só no Rio de Janeiro, como a própria madrinha disse no palco.
Na sexta-feira eu fui ao teatro assistir “Nós No Morro”, grupo também carioca, dito grupo de área de risco e que fez uma apresentação extraordinária, e pra surpresa de todos dessa vez não foi na Zona Leste (lugar considerado excluído), mas sim no Itaú Cultural (Av.Paulista).
O espetáculo não estava muito cheio, acredito pelo trânsito caótico de São Paulo, por ser um dia da semana e a galera ter que ir a escola/faculdade, enfim, só que mais uma vez não tivemos um cenário de horror como dita o imaginário coletivo que onde tem preto, pobre e excluído tem bagunça.
Será que é porque nenhum dos eventos tenha sido idealizado pela prefeitura? Será que a bagunça só ocorre como uma reação?
Não sei, sei que sei, que me diverti nos dois eventos, pagando apenas R$ 3,00 (meia entrada, por ser professora de escola pública) no Sesc Itaquera e no Itaú Cultural minha diversão foi gratuita, portanto, não preciso pagar muito pra ir em espetáculos vindos do estrangeiro prá ver coisa de qualidade e gente bonita e diversão completa.
Obs.: o que mais me chamou atenção foram duas menininhas no Sesc Itaquera, rolando na grama, brincando, dividindo, dançando, fazendo coisas de criança. Detalhe: a maior era bem loirinha (e cuidava da menor com tanta ternura) e a menor era negra, de cabelos trançados.
Firmando e dando vida a frase de Nelson Mandela:
“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”

Viviane Oliveira