Rio – Passados mais de dois meses, o caso do educador negro Roberto Delanne, desaparecido em 17 de março, continua sem solução. Delanne foi visto pela última vez, saindo de sua casa, em Caxias, Baixada fluminense.
Entidades e organizações negras e da sociedade civil tem se mobilizado por intermédio do GT – Delanne, um grupo de trabalho que já se reuniu com as autoridades da área da segurança pública e está tentando uma audiência com a governadora Rosinha Matheus.
O fotógrafo Januário Garcia, ativista histórico do Movimento Negro, que participa das buscas, fez esta semana um apelo emocionado, depois de considerar “vergonhosa” a apatia do Movimento Negro carioca, em relação ao destino do militante desaparecido. “Há um companheiro nosso sumido, sumiu um companheiro nosso sem deixar rastros. Gente/pessoas não podem sumir assim como se nada fossem. Já não existem mais perguntas e nunca foi dada uma resposta, sumiu um companheiro nosso, há um companheiro nosso sumido”.
Garcia lembrou o silêncio, que ele chama de “descaso” de muitos, que não manifestaram solidariedade. “O descaso de muitos é o descaso para nós mesmos. Excluir de nossas preocupações esse fato, significa negar nossa história de luta. Ninguém que se diz militante do Movimento Negro do Rio de Janeiro pode ignorar esse fato gravíssimo que estamos vivendo – o desaparecimento de Roberto Delanne”, acrescenta.
“Delanne é um de nós e, nessa condição, nos cabe a honra, a decência e a coragem de lutar por seu paradeiro; de obtermos uma resposta das autoridades de segurança desse Estado que até agora não nos deu e não se empenhou em nos dar. Queremos Delanne de volta porque é parte da nossa história de luta! Queremos Delanne de volta porque é vergonhoso constatar que o conjunto maior do Movimento Negro do Rio de Janeiro não é capaz de se mobilizar em defesa de seus membros”, concluiu.

Da Redacao