S. Paulo – Leila Lopes, a Miss Angola, eleita Miss Universo 2011 nesta segunda-feira, não é a primeira mulher africana a se tornar a mais bela do mundo. A primeira foi a sul-africana Margaret Gardner, em 1.978, no período em que estava em vigor o apartheid – o regime de segregação racial na África do Sul. Gardner era branca.
Segundo a jornalista Flávia Cavalcante, que foi Miss Brasil, em 1.989, a segunda africana foi Michelle Mclean, da Namíbia, que ganhou o concurso em 1.992 e também não era negra. A primeira mulher negra africana, de fato, a se tornar Miss Universo foi Mpulekwela Gobe, de Botswana, em 1.999.
Negra não africana
A primeira não africana a ser considerada a mais bela do mundo, de acordo com a jornalista, que foi uma das comentaristas para o Portal Terra do Concurso deste ano e falou em entrevista exclusiva à Afropress, foi Janelle Commissiong, de Trinidad Tobago, em 1.977. Em 1.998, Trinidad Tobago voltaria a ganhar o Miss Universo, com Wendy Fitzwilliam.
Segundo Flávia, a primeira Miss Universo de Trinidad Tobago, foi escolhida no mesmo ano em que Apelonice Lima, uma jovem negra gaúcha foi impedida de se tornar Miss Rio Grande do Sul.
Apelonice, 21 anos, universitária, foi eleita Miss Passo Fundo – cidade gaúcha localizada a trezentos quilômetros de Porto Alegre -, não teve o seu nome homologado pelo presidente do júri, Jornalista César Romero, por uma única razão: era negra.
“Como nossa cidade seria vista no concurso de Miss Rio Grande do Sul tendo como candidata uma pessoa de cor?”, perguntou Romero.
Racismo e discriminação
Foi então que o júri, formado por figuras da sociedade local, fez três votações prevalecendo a última, em que foi eleita Rosângela Esmeralda dos Anjos – a candidata que ficou em segundo lugar – diante da vaia generalizada da platéia que participava do concurso.
A repercussão do caso chegou a Câmara Municipal e vereadores chegaram a pedir a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, ameaçando Romero com a Lei Afonso Arinos, em vigor à época.
Mais tarde, a Miss Negra Apelonice, comentaria: “Fiquei muito perturbada com tudo isso. Foi como se tivessem dado uma bofetada no meu rosto. Até agora nunca tinha sofrido qualquer problema ligado à minha cor”, afirmou.

Da Redacao