Rio – O sambista Dudu Nobre e sua mulher, amodelo e dançarina, Adriana Bombom, foram alvo de agressão e racismo por parte de comissários da companhia American Airlines, no vôo que os trouxe de Nova York com destino ao Rio.
Os problemas, segundo Bombom, começaram ainda nos EUA, quando tentou abrir a porta do banheiro com o avião em terra. Como o compartimento estava travado, uma comissária se aproximou e a ofendeu. “Ela me chamou de estúpida, de ignorante, de tudo”, afirmou Adriana.
As provocações da tripulação – entre as quais a simulação de grunhidos, imitando macacos -, entretanto, não pararam por aí e se estenderam a Dudu Nobre e ao produtor Ivan Corrêa Júnior, 36 anos, amigo de Dudu.
Macaco
Na chegada a S. Paulo ela se despediu e ironicamente agradeceu o “bom tratamento”, tendo como resposta um palavrão de um dos comissários. Nobre e Júnior foram então tirar satisfações quando o piloto segurou o produtor e desferiu uma violenta canetada que furou sua jaqueta e o feriu no ombro. Não satisfeito chamou o cantor de “macaco”.
“O comissário ia cravar a caneta no pescoço do Junior. Eu consegui puxá-lo e ele acabou ferido no ombro. O golpe furou o casaco – conta o cantor, que registrou o caso como injúria pessoal e racial na Polícia Federal do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio.
Todos os membros da tripulação eram americanos e a maioria das ofensas foi feita em inglês. “Tudo isso foi na frente das minhas filhas”, disse Bombom, mãe de Olívia, 6, e Thalita, 5. A bailarina disse que a família relatou o ocorrido à Polícia Federal no Rio logo que chegou na cidade e que seu advogado já foi acionado para processar a companhia aérea.
A American Airlines divulgou comunicado informando que abriu investigação interna para apurar o ocorrido. Veja, a íntegra do comunicado.”Em relação ao incidente ocorrido durante o vôo AA 951 vindo da cidade de Nova York com destino ao Rio de Janeiro, no dia 17 de novembro de 2008, com o sambista Dudu Nobre e sua esposa, Adriana Bombom, a American Airlines informa que nenhuma reclamação oficial foi feita diretamente à companhia, a American só ficou sabendo deste incidente pelos jornais na manhã de hoje, 18 de novembro, e já está realizando uma investigação interna para saber o que realmente aconteceu.”
Botar a boca no mundo
Adriana, que já foi bateria da Portela, afirmou que o pesadelo no vôo da American Airlines deve servir de exemplo para outras pessoas que sofrem racismo. “Tem que botar a boca no mundo para que as outras neguinhas tenham coragem de denunciar também, para que não aconteça mais isso com ninguém.
Ela disse que já sofreu discriminação antes de ser famosa. “Quando ia visitar minhas amigas ricas, o porteiro mandava ir pela porta dos fundos. Por quê? E, quando não era famosa, já entrei em loja chique com dinheiro no bolso e a vendedora não veio me atender, pensando que não podia comprar”, afirmou.
O caso agora deve ser encaminhado à delegacia da PF, em São Paulo. De acordo com policiais, a agressão começou durante o vôo no espaço aéreo daquele estado. Apenas Bombom, Dudu Nobre e Júnior prestaram depoimento.
A tripulação do vôo será chamada para depor. O caso de injúria qualificada pelo racismo deve ir para a Justiça Federal. Como a pena é menor, os outros delitos devem ir para o Juizado Criminal.

Da Redacao