A explicação foi dada pela produtora e realizadora do evento, em entrevista ao Jornal do Brasil. Na semana passada, modelos negros fizeram um protesto silencioso, na Marina da Glória, local do evento, exigindo maior presença na passarela. Segundo Simão, há “uma estética a ser seguida”. Ela não disse qual é a estética.
A produtora disse ainda na entrevista ser contra qualquer tipo de cota. “Até porque, se formos começar por aí, daqui a pouco teremos cotas para ruivos. Além do mais, não posso intervir na escolha do casting, é uma decisão artística que cabe às grifes. Existe uma estética a ser seguida”, afirmou.
O advogado Humberto Adami, presidente do Instituto Ambiental e Racial do Rio (Iara) propõe a instauração de inquérito civil público, a ser replicado em todas as capitais brasileiras para que os executivos das grifes digam “qual é a tal estética”. “As griffes internacionais poderiam receber uma cartinha indagando sobre a tal linha estética e quem decide. Duvido que apareçam”, afirma.
Segundo Adami, a produtora tem uma certa razão quando diz que não é a organização que escolhe os modelos, mas sim as agências, as grifes e o próprio mercado. “A estética do mercado provavelmente não enxerga o negro como comprador de roupa de grife. Até porque não deve comprar mesmo. Ou, ao contrário, compra uma roupa de uma linha de estética que não é a sua”, afirma.
O protesto de modelos negros deve se repetir também em São Paulo, onde esta semana, de 16 a 21, acontece, no Parque Ibirapuera, a São Paulo Fashion Week. A São Paulo Fashion Week e a Rio Fashion são os dois maiores eventos da indústria da moda do país.

Modelos fazem protesto pela ausência de negros nos desfiles no Rio. Foto de Cleomir Tavares/Photo Rio News