A explicação foi dada pela produtora e realizadora do evento, em entrevista ao Jornal do Brasil. Na semana passada, modelos negros fizeram um protesto silencioso exigindo maior presença na passarela. Segundo Simão, há “uma estética a ser seguida”. Ela não disse qual é a estética.
A produtora disse ainda na entrevista ser contra qualquer tipo de cota. “Até porque, se formos começar por aí, daqui a pouco teremos cotas para ruivos. Além do mais, não posso intervir na escolha do casting, é uma decisão artística que cabe às grifes. Existe uma estética a ser seguida”, afirmou.
O advogado Humberto Adami, presidente do Instituto Ambiental e Racial do Rio (Iara) propõe a instauração de inquérito civil público, a ser replicado em todas as capitais brasileiras para que os executivos das grifes digam “qual é a tal estética”. “As griffes internacionais poderiam receber uma cartinha indagando sobre a tal linha estética e quem decide. Duvido que apareçam”, afirma.
Segundo Adami, a produtora tem uma certa razão quando diz que não é a organização que escolhe os modelos, mas sim as agências, as grifes e o próprio mercado. “A estética do mercado provavelmente não enxerga o negro como comprador de roupa de grife. Até porque não deve comprar mesmo. Ou, ao contrário, compra uma roupa de uma linha de estética que não é a sua”, afirma.