S. Paulo – O clima de ódio racista explodiu na madrugada desta quarta-feira (22/08), durante a desocupação da Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, por parte da Tropa de Choque da Polícia Militar de S. Paulo. A ocupação da tradicional Faculdade do Largo de Francisco fez parte da Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública, promovida pelo MST, Via Campesina, UNE, UBES, ANDES, e outras entidades estudantis e populares. A Educafro incluiu duas na lista das 18 reivindicações da Jornada: a defesa da implementação da Lei 10.639/2003 e a adoção de Ações Afirmativas para reverter o processo de exclusão.
Segundo Thiago Thobias, da Rede Educafro, durante as horas de pânico que se seguiram à ação da Tropa de Choque, o que mais se ouviu no pátio da Faculdade foram frases como estas: “vocês são a escória”, “negro só entra aqui se for desse jeito”, “este lugar não é para os sem-terra”; “voltem para a África”, “vocês nunca terão direito de estudar na USP”; “vão embora daqui seus pretos nojentos”, dentre outras pérolas do racismo brasileiro.
As expressões, segundo Thobias, eram ditas por professores, membros da diretoria da USP, e estudantes durante o ato da desocupação. Cerca de 600 ativistas – incluindo alunos da Educafro e militantes do MST – participaram da ocupação após a realização de um painel de debates.
A resposta veio com a decisão da direção da Faculdade de pedir a intervenção da Tropa de Choque que efetuou mais de uma centena de prisões durante a madrugada. Todos os detidos foram ouvidos e liberados.

Da Redacao