S. Paulo – Ativistas da ONG Educafro – a maior rede de cursinhos pré-vestibulares para negros do país – realizaram na manhã desta sexta-feira (22/07), ato de protesto em frente ao Setor de Relacionamento (Casa do Cliente), do Grupo Pão de Açúcar, no Ibirapuera, Zona Sul de S. Paulo.
Munidos de megafones, cartazes de bandeiras e gritando palavras de ordem contra os episódios de discriminação que tem atingido especialmente pessoas negras, cerca de 200 militantes da entidade exigiram a abertura de diálogo com a direção do Grupo, visando botar fim aos casos de violência e desrespeito como o que ocorreu no Supermercado CompreBem de Itaquera, com Edvanda de Carvalho Rodrigues, 52 anos, e sua filha, Aline Carvalho Murça, 27 (foto), tomadas por suspeitas do furto de mercadorias pelas quais já haviam pago.
Depois do protesto, o Pão de Açúcar divulgou nota em que afirma repudiar qualquer ato discriminatório e que “pauta suas ações no respeito aos direitos humanos e à integridade de todos os que frequentam suas lojas”. Diz também não admitir “qualquer ato de discriminação relativa à raça, gênero, orientação sexual, cor, religião, origem étnica, incapacidade física ou mental ou qualquer outra classificação protegida por leis federais, estaduais ou municipais”.
A empresa também se comprometeu a abrir o diálogo e sugeriu que a entidade proponha três alternativas de datas para o agendamento de uma reunião.
Segundo Marcelo Antonio de Jesus, um dos coordenadores do protesto, o objetivo da manifestação foi chamar a atenção da população, inclusive dos clientes do Pão de Açúcar, e exigir uma reunião com a direção do grupo para cobrar o fim dos atos discriminatórios.
Reincidência
Em janeiro deste ano, o garoto T, de apenas 10 anos, e mais dois colegas de 13 e 14 anos, foram humilhados e maltratados por seguranças para uma salinha do Hipermercado Extra, da Marginal do Tietê, acusados de furto de mercadorias. Levados a uma salinha reservada foram obrigados a tirar as roupas e ameaçados de levar chicotadas. Também foram xingados de “negrinhos sujos e fedidos”.
O caso está sendo investigado pelo 10º DP da Penha. Mesmo alegando “mera liberalidade”, já que não reconheceu ainda responsabilidade no episódio, o Grupo Pão de Açúcar indenizou a família do menor pagando a importância de R$ 260 mil por danos morais.
O Grupo, porém, se recusa a abrir diálogo para estender a indenização aos dois outros menores agredidos, segundo o advogado que os defende, Alexandre Mariano. Os adolescentes deverão ser ouvidos nos próximos dias pelo delegado Marcos Aníbal Arbues Andrade, que preside o inquérito.
CompreBem
No caso dos constrangimentos sofridos por Edvanda e pela filha na loja do CompreBem, no último dia 07 de julho, o Pão de Açúcar disse que o Supermercado também repudia qualquer ato discriminatório. Não informou, porém, quais as providências que tomou e se afastou o segurança acusado.
Veja a reportagem da TV Brasil – edição de 22/07/2011

Da Redacao