S. Paulo – Cantando o grito de guerra “senhor banqueiro, preste atenção: o povo negro ta querendo inclusão”, estudantes da Rede Educafro ocuparão na manhã desta quinta-feira, 15/12, a partir das 11h, a Agência do Bradesco da Avenida Boa Vista, centro de S. Paulo, para protestar contra a ausência de negros nos quadros de funcionários da instituição.
A manifestação terá como lema “Bradescocompleto é BradescocomPRETO! Branco dia e noite é Racismo!” e faz parte da disciplina Cultura e Cidadania da Educafro, uma rede de cursinhos pré-vestibulares que atende cerca de 13 mil estudantes afrodescendentes em todo o Brasil. “Vamos ocupar a agência do Bradesco, ficar parados na boca do caixa e olhar nos olhos do gerente, funcionários e das pessoas da fila. Será que encontraremos a mesma diversidade dos clientes entre os funcionários? Onde estão os negros do Bradesco?”, pergunta Eduardo Pereira Neto, coordenador da Educafro.
Com o ato a Educafro também pretende sensibilizar o Judiciário na ação civil pública que será julgada nesta sexta-feira, no Tribunal Regional do Trabalho, em Brasília, proposta pelo Ministério Público do Trabalho contra o Bradesco e outros quatro grandes bancos do país.
Segundo a ação, a prática de discriminação racial no mercado de trabalho relacionada à contratação, ascensão e remuneração desigual de negros e mulheres, por parte dos bancos contraria todos os tratados internacionais, tais como a Convenção 111 da OIT.
“O povo judeu, na 2ª Guerra Mundial, viveu sete anos de trabalhos forçados. Seus descendentes entraram na Justiça européia e recebem, até hoje, indenizações. O povo afro-brasileiro viveu mais de 380 anos de escravidão e, até hoje, vive as conseqüências da exclusão, sem nenhuma reparação. A Justiça brasileira pode ser igual, ou até melhor, que a européia ao julgar casos delicados como este”, afirma Frei David R. Santos, principal líder da Educafro.
Segundo Frei David a manifestação quer chamar a atenção dos correntistas dos bancos para os alarmantes números da exclusão de negros no mercado de trabalho, especialmente no setor bancário. “Precisamos dizer aos clientes que para além de serem explorados com as altas taxas de juros e as tarifas exorbitantes, eles podem pressionar os banqueiros a assumirem a diversidade na contratação de seus funcionários. Qual o problema dos banqueiros com os negros? Os bancos são os que mais lucram no Brasil de hoje. O que eles estão dispostos a fazer para estancar esta seqüência histórica de exclusão? Qual o compromisso direto deles para com os excluídos?”, questiona.

Da Redacao