S. Paulo – A Educafro – Rede de 255 cursinhos comunitários para jovens negros, ligada à Igreja Católica e dirigida por Frei David Raimundo dos Santos – incluiu na sua agenda de atividades do dia 20 de Novembro, a participação na Parada Negra, marcada para acontecer no Dia Nacional da Consciência Negra.
A decisão foi comunicada por dirigentes da Educafro que estiveram na reunião de mobilização da Parada, no auditório da Universidade Zumbi dos Palmares, neste sábado, e reiterada por Thiago Tobias, responsável pela área de políticas afirmativas.
O início da concentração está marcado para as 12h, no vão do MASP, na Avenida Paulista. Neste horário será iniciada a programação que deverá incluir a participação de lideranças, religiões de matriz africana, evangélicos, personalidades negras, a juventude negra e anti-racista e apresentações culturais. Por volta das 15h haverá o início da Marcha, em direção a Avenida Consolação.
Os dirigentes da Parada, entretanto, ainda esperam construir uma agenda unitária com a CUT e entidades ligadas a Central e ao Partido dos Trabalhadores, como o MNU, a UNEGRO e a CONEN, na tentativa de evitar a divisão.
Segundo um dos dirigentes do Movimento Brasil Afirmativo, o professor Antonio Jacinto dos Santos, a disposição para o diálogo é grande porque todos tem a consciência da importância da unidade do povo negro para não permitir que o feriado de 20 de novembro “passe em branco”. Nesta semana deverá haver uma primeira reunião para prosseguir o diálogo com a Central.
Enquanto preparam a mobilização, os ativistas estão passando uma Abaixo Assinado em favor do Estatuto da Igualdade Racial e do PL 73/99, que criam Ações Afirmativas e Cotas, em tramitação no Congresso. Os dois projetos devem ser votados no próximo ano. A proposta é coletar milhares de assinaturas e entregá-las aos parlamentares quando da votação das matérias, como instrumento de pressão sobre o Congresso.
Na reunião os ativistas e a Comissão de Organização da Parada decidiu lançar um Manifesto denunciando os ataques contra as cotas e lideranças negras, por parte de bandos nazi-racistas que passaram a ameaçar a Delegada de Crimes Raciais de S. Paulo, Margarette Barreto e o editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira.
“Exigimos uma posição firme das autoridades no sentido de identificar e prender os responsáveis pelos atentados à liberdade e os nazi-racistas que a atacam a população negra. As autoridades têm mecanismos e serviços de inteligência para identificá-los e levá-los à Justiça. Não vamos aceitar a violência desses grupos, nem nos intimidaremos”, afirmam.
Uma comissão formada por João Bosco Coelho, Antonio Jacinto, Odézia Rodrigues e o rapper Pirata, do Fórum de Hip Hop, ficaram encarregados de redigir um documento que será entregue ao Ministério Público do Estado de S. Paulo e as autoridades de segurança pública cobrando providências.

Da Redacao