Para disfarçar sua perplexidade ou para externar suas preocupações ela pergunta:
__ Tina, o pai do seu filho trabalha?
__ Trabalha.
__ O que ele faz?
__ Ah… ele é padeiro, confeiteiro, sei lá… trabalha na padaria. Ela repara que a tia abaixa a cabeça. A prima continua. Mas agora ele tá preso. Ela não acredita, acha que não ouviu direito e exclama.
__ Preso, como assim?
__ Preso, ué. Na cadeia. A tia ri para ajudar. Pergunta se ela se assustou.
__ Mas o que ele fez para ser preso? A polícia armou pra cima dele?
__ Não, menina, não foi kaô não. Foi “porte ilegal de armas”. Diz a prima, imitando o jargão policial.
__ E o que ele fazia com uma arma, minha nossa senhora?
__ Ah… minha filha, essa é a pergunta que não quer calar. Temendo a resposta, ela continua.
__ Oh Tina, mas você não faz papel de mulher de bandido não, né? Não faz comidinha para levar no domingo, e nem compra cigarros ou busca a roupa suja dele para lavar, não é?
__ Não, que isso? Isola…
__ Não vai porque eu não deixo. Não criei elas pra isso. São as únicas palavras da tia.
__ E quando ele sai?
__ Depende. Se conseguir advogado ele sai logo. Se não conseguir são 121 dias no xilindró. Elas terminam o almoço e se levantam para lavar os pratos. A barriga continua crescendo e o bebê chegará dentro de três meses.

Cidinha da Silva