São Paulo – Encerrada a apuração dos votos, as eleições deste domingo marcaram a derrota nas urnas dos mais conhecidos nomes do Movimento Negro no Brasil. Em S. Paulo, o jurista Hédio Silva Jr., (foto) candidato a deputado federal pelo PFL – a maior aposta do Movimento Negro nas eleições – ficou com apenas 22.265 votos, votação muito aquém da necessária para ocupar uma vaga e muito distante da que ele próprio esperava. Hédio trabalhava com a hipótese de 200 mil votos.
Outro derrotado nas urnas foi o deputado João Grandão, do Mato Grosso do Sul, coordenador do Núcleo dos Parlamentares Negros do PT (NUPAN). Grandão era candidato à releição e sua derrota é atribuída ao fato de ter tido seu nome incluído na lista da CPI da “máfia dos sanguessugas”.
Ele foi o único derrotado entre os candidatos de Mato Grosso que disputaram a reeleição, ficando na primeira suplência com 41.516 votos
O ex-prefeito Celso Pitta, candidato a deputado federal pelo PTB, que na campanha assumiu a defesa do Estatuto da Igualdade Racial e das cotas, teve apenas 7.484 votos.
Vitoriosos
Entre os candidatos negros com maior visibilidade pública e política, Vicentinho, do PT- que tem sua base principal e história política no movimento sindical -, e o vereador Edson Santos, do PT do Rio, tiveram votação destacada.
Vicentinho se reelegeu com 97.477 votos, votação distante da obtida em 2002, quando ultrapassou os 200 mil votos. O vereador Edson Santos, autor daLei que instituiu o feriado de Zumbi (o Rio foi a primeira capital do país a ter um feriado homenageando o herói de Palmares) foi eleito o Deputado Federal mais votado do Partido, com 105.114 votos, ficando em 11º no ranking de deputados federais do Estado.
Além de Vicentinho e Edson Santos foram eleitos o deputado Luiz Alberto, da Bahia, liderança do Movimento Negro Unificado (MNU), com 60.950 votos, Edmilson Valentin (PC do B) e Carlos Santana (PT), ambos do Rio, respectivamente com 76.297 e 61.792 votos.
Desolação
No Comitê de Hédio, na Avenida Pacaembu, o clima era de desolação entre os poucos assessores do candidato que acompanhavam a marcha das apurações. A expectativa de Hédio e das lideranças que assumiram a direção da campanha, como o professor Hélio Santos, era de que sua candidatura aglutinasse apoios na Academia, e entre ativistas e militantes.
Hédio esperava também contar com um forte apoio entre lideranças das religiões de matriz africana. Os apoios, contudo, não se traduziram em votos.
Assessores de Hédio também comentavam o fato de a Secretária de Justiça, Eunice Prudente, indicada por ele para substituí-lo na Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania, ter ignorado sua campanha.

Da Redacao