S. Paulo – A bancada de parlamentares negros e antirracistas no Congresso e nas Assembléias Legislativas dos Estados permanecerá do mesmo tamanho, segundo as primeiras análises dos resultados das eleições, após o encerramento das apurações na madrugada de domingo para segunda (04/10), ao contrário do que indicavam pesquisas de intenção de voto.
A surpresa da eleição foi a derrota do empresário, cantor, apresentador e vereador paulistano, Netinho de Paula, que concorreu ao Senado pelo PC do B e liderava a disputa para uma das vagas até a véspera da eleição. Embora tenha tido mais de 7 milhões de votos ( 7.773.327, o equivalente a 21,14%) Netinho foi batido pelo tucano, Aloysio Nunes Ferreira, e pela ex-prefeita
Marta Suplicy, do PT, e ficará de fora.
Netinho tinha como segunda suplente, a ex-ministra Matilde Ribeiro, destacada pela Executiva do PT para compor a chapa.
Ao contrário da trajetória de Netinho na campanha, no Rio Grande do Sul, o senador Paulo Paim, do PT, começou atrás nas pesquisas, teve a permanência no Senado ameaçada durante quase toda a campanha, mas conseguiu a reeleição com 3.895.822 (33,83%) e ficará mais oito anos no Senado.
Reeleição
Ainda em S. Paulo, o deputado Vicente Cândido, do PT, coordenador da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial na Assembléia, se elegeu para a Câmara Federal com 160.242 votos. Também conseguiram a reeleição, a deputada Janete Pietá, que tem base em Guarulhos, e Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, ex-presidente nacional da CUT e oriundo do movimento sindical do ABC. Pietá, cujo marido, Elói Pietá, já foi prefeito da cidade, teve 144.529 votos, enquanto Vicentinho ficou com 141.068 votos.
Luiz Carlos Prates, o Mancha, do PSTU, o único negro entre os nove candidatos que concorreram ao Governo de S. Paulo, teve 16.441 votos.
Segundo a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio do IBGE (PNAD), 51,3% de população brasileira é negra. Nas eleições de 2006, a representação negra era de apenas 9% dos 513 parlamentares eleitos, de acordo com o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil (2007/2008), elaborado pelo professor Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Regresso
No Rio, a eleição deste ano marcou a volta da ex-ministra Benedita da Silva, que saiu candidata a deputada federal, depois de perder as prévias no PT carioca para o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Lindenberg Farias, eleito senador pelo Rio. Benê se elegeu com 71.036 votos.
Também volta à Brasília, o ex-ministro da SEPPIR, Edson Santos, reeleito para a Câmara Federal, com 52.123 votos – menos da metade dos votos que o elegeram em 2006, quando obteve 105 mil votos.
Enquanto a ex-ministra Benedita da Silva, volta à Brasília, Carlos Santana, o ex-presidente da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial na Câmara dos Deputados volta prá casa. Santana obteve apenas 42.327 e não se reelegeu.
Na Bahia, o deputado Luiz Alberto, do PT, manteve a votação que tem garantido sua permanência em Brasília e se reelegeu com 63.686 votos. A Bahia também elegeu Valmir Assumpção que obteve 132.999 votos.
Assembléias
A cantora Leci Brandão, também do PC do B, teve melhor sorte e foi eleita para Deputada Estadual com 86.298 votos. Leci será a segunda mulher negra a ocupar um lugar na Assembléia Legislativa de S. Paulo desde 1.934 quando as mulheres brasileiras conquistaram o direito de voto. A primeira foi a ex-deputada Theodosina Ribeiro.
O único parlamentar negro na Assembléia paulista – o deputado José Cândido – também continuará. Cândido, do PT, se reelegeu com 68.202 votos.
O jornalista Dojival Vieira, que concorreu a Deputado Estadual também pelo PC do B, teve 1.271 votos.
Bahia
Concorrendo a uma vaga na Assembléia Legislativa baiana, a vereadora Olívia Santana e o advogado Sérgio São Bernardo, não tiveram a mesma sorte. Olívia teve 30.466 votos e S. Bernardo 3.468.
Já o deputado Bira Corôa, que tem sido um aliado do Movimento Negro baiano, se reelegeu com 39.254 votos.
Em Sergipe, a ex-secretária de Inclusão Social, Conceição Vieira, se reelegeu com 27.378
DF
No Distrito Federal, a jornalista Jacira da Silva, do Movimento Negro Unificado (MNU), teve 681 votos e não conseguiu se eleger para a Câmara Distrital.
Em Minas, o jornalista José Amaral Neto, que foi candidato pelo PT do B, obteve 721 votos e também não se elegeu.

Da Redacao