Brasília – Bem diferente da complacência que tiveram com os principais envolvidos nos escândalos que abalaram o Governo Lula no primeiro mandato, a maior parte dos quais de volta à Câmara, os eleitores brasileiros não tiveram a mesma paciência com os dois únicos parlamentares negros envolvidos na “Máfia dos Sanguessugas”.
João Grandão (PT/MT) e Reginaldo Germano (PP/BA), além de não terem sido reeleitos nas eleições de outubro, ainda foram indiciados pela Polícia Federal e terão de enfrentar as investigações sem o foro privilegiado que o mandato lhes garantia.
Grandão (foto) e Germano, acusados pelo empresário Luiz Antonio Vedoin de receberem propina de 10% nas emendas parlamentares como integrantes do esquema, amargam o ostracismo. O primeiro, contudo, teve mais sorte do que seu companheiro de infortúnio: no mesmo dia em que terminou seu mandato, ganhou emprego de assessor especial na Prefeitura de Dourados, em função no qual, segundo o prefeito Laerte Tetila (PT) “tem larga experiência”: passou a ser o responsável pela captação de recursos para o município atuando diretamente nos ministérios, em Brasília.
Germano, que chegou a ocupar a relatoria do projeto do Estatuto da Igualdade Racial, defendeu-se ao ser ouvido na Câmara alegando que, como integrante da Igreja Universal do Reio de Deus, durante todo o primeiro mandato (1998-2002) esteve subordinado às ordens do então deputado bispo Carlos Rodrigues.
Era ele, segundo afirmou, quem determinava o direcionamento das emendas dos parlamentares ligados à igreja. Também revelou a existência uma caixa de auxílio mútuo dos deputados da Universal, para a qual todos estavam obrigados a depositar R$ três mil.
Grandão, cumprindo o segundo mandato na Câmara Federal e ocupando a função de coordenador do Núcleo de Parlamentares Negros do PT (Nupan) culpou a Imprensa. “Depois de ser julgado sem sequer ser ouvido por setores da imprensa, tenho a chance de me defender. Agora foi estabelecido o princípio do contraditório e vou fazer minha defesa”, afirmou.

Da Redacao