S. Paulo – Os quatro moradores de rua atacados por skinheads, em S. Paulo, na madrugada de domingo, disseram que os agressores estavam dispostos a matar. “Os caras surgiram do nada, xingando a gente de preto, pobre e nordestino e dando socos e pontapés””, contou Samuel de Oliveira, 34, branco, a repórter Eliane Trindade, do Jornal Folha de S. Paulo.
Segundo ele, além dos cinco presos pela Polícia, outros quatro participaram das agressões.
“Duas mulheres eram da gangue. Tinha uma menor e a namorada de um dos caras”, acrescentou Aline de Souza, 21, grávida de três meses, que escapou da pancadaria abraçada ao marido, Júlio César Souza, 20 anos, negro, atingido com golpes nas costas.
As vítimas só conseguiram ser salvas graças a ação de policiais de uma viatura da PM que passava pelo local. “Deus mandou pra cá naquela hora policiais treinados para combater esse terrorismo burro”, diz Carvalho, ex-pastor e negro.
Mesmo com a chegada da Polícia, os agressores ainda reagiram e partiram para o confronto com os dois policiais que chegaram primeiro e deram voz de prisão em flagrante. Foram necessários dois tiros para o alto para contê-los. Rendidos, um deles continuou a destilar o ódio racista.
“No chão, o folgado gritava que odiava negro. Um dos policiais também era preto”, diz Samuel, que, sob a ameaça de um facão, chamou a atenção do carro de polícia que passava pelo local.
Com os agressores, a Polícia encontrou um pequeno arsenal de armas brancas: três machados, quatro facas, um punhal e um facão.
Os quatro sem-teto vivem numa autodenominada “Comunidade democrática de rua”, com 17 integrantes e tiram o susto da venda de material reciclado. Carlos trabalha fazendo bicos como entregador de água mineral para uma distribuidora vizinha à praça do Paraíso

Da Redacao