S. Paulo – A chefe da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de S. Paulo, professora Elisa Lucas Rodrigues (foto) cobrou das principais lideranças negras do país uma posição ativa para barrar o que ela chama de campanha racista (ver matéria no link https://www.afropress.com/post.asp?id=16156) que visa desqualificar o ministro Joaquim Barbosa, o primeiro negro a ocupar a Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).

“É muito decepcionante ver a participação do Movimento Negro nesse episódio. Que Movimento Negro é esse que não tem a lucidez de perceber a armadilha em que está entrando? Ver, neste país chamado Brasil, um negro chegar onde ele chegou faz com que, no mínimo, tenhamos respeito. Ou somos "Negros" subordinados ideologicamente a partidos?, indagou.

Em entrevista ao jornalista Roberto D’Ávila para a Globo News, que foi ao ar na madrugada deste domingo (23/03), quando perguntado sobre o tema, Barbosa denunciou a presença de racismo nas relações sociais, econômicas e políticas no Brasil. "Racismo você sente sempre né?, mesmo quando criança e como ministro no Supremo Tribunal Federal. Joaquim Nabuco dizia que demorará séculos para que o Brasil se desvencilhe das marcas da escravidão. É falta de honestidade intelectual dizer que o Brasil já se livrou dessas marcas. Elas estão presentes nas coisas mais comezinhas da nossa vida social", afirmou.

Também revelou ter se recusado a fazer marketing como único negro no STF, quando convidado pelo ex-presidente Lula para viajar com ele à África (Veja entrevista completa do ministro na Afropress TV ao lado). "Eu recusei primeiro porque não era tradição da Casa, segundo porque percebi que aquilo era uma estratégia de marketing para os países africanos", afirmou.

Indignação

Elisa disse que ficou especialmente indignada com algumas peças da campanha para atingir a imagem do ministro que vem sendo disseminadas nas redes sociais. Ela disse que a campanha "é uma retaliação pelo fato de Barbosa, como relator do mensalão não ter se curvado ao que pretendia quem o nomeou" – o ex-presidente Luis Inácio da Silva. 

Na ação foram condenados membros da cúpula do Partido dos Trabalhadores, em especial o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu e o ex-presidente e tesoureiro do partido, respectivamente, José Genoíno e Delúbio Soares. Todos se encontram cumprindo pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

“Será que queríamos que Barbosa fosse "um negro sim senhor", que não questionasse e condenasse os absurdos cometidos pelos condenados? Será que seremos nós, os algozes desse homem corajoso, que não se curva diante de poderosos e faz o que tem que ser feito "justiça"?, voltou a perguntar.

Ela convocou as pessoas que, como ela estão indignadas com a campanha a tomarem uma posição "em defesa da honra do ministro Joaquim Barbosa". "Todos sabemos que essa campanha racista é motivada pelo fato do ministro Joaquim não ter se curvado ao que pretendiam os que o nomearam e ter decidido julgar de acordo com a sua consciência e a prova existente nos autos da ação do mensalão", finalizou.

 

Da Redacao