S. Paulo – A campanha S. Paulo contra o Racismo no Esporte, lançada pelo Governo de S. Paulo em parceria com a Federação Paulista de Futebol (FPF), foi a iniciativa contra o racismo mais importante adotada este ano para sensibilizar a sociedade, por utilizar como veículo um esporte como o futebol, que apaixona milhões de brasileiros para conscientizar as pessoas da importância da superação do racismo e da cultura de discriminação herdada dos quase 400 anos de escravidão no Brasil.

A opinião é da professora Elisa Lucas Rodrigues, chefe da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena do Estado de S. Paulo. A Coordenação, antes ligada a Secretaria da Justiça, agora está diretamente vinculada a Casa Civil do Governo do Estado e responde ao governador Geraldo Alckmin, do PSDB.

Segundo Elisa, a campanha lançada pelo governador no dia 16 de abril deste ano, atingiu milhões de pessoas dentro e fora dos estádios. “O Governador Geraldo Alckmin e a Federação Paulista de Futebol demonstraram, mais uma vez, que são verdadeiramente nossos parceiros, na luta contra o racismo e por um Brasil com igualdade”, afirmou.

Ela destacou ainda o envolvimento dos principais clubes paulistas – S. Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos, além da Ponte Preta de Campinas – cujos jogadores gravaram depoimentos fazendo um chamado a sociedade.

“Fico sensibilizado realmente com essa iniciativa do Governo Estadual e a gente espera que surta efeito que as pessoas tomem consciência do que é ser um ser humano”, afirmou no ato de lançamento o ex-lateral esquerdo do Corinthians Wladmir, um dos maiores entusiastas da iniciativa. Zé Maria, o ex-lateral direito do Corinthians, destacou: "Acho sim, que funciona. Faz com que aja uma reflexão maior do torcedor e até da população".

Além disso, os principais jogadores dos clubes gravaram depoimentos alertando para o racismo e conclamando a sociedade a combatê-lo.

A campanha foi concebida e elaborada pela Coordenação e durante a sua execução, Elisa com o apoio do Governo do Estado, se reuniu com lideranças da área do esporte e com os principais presidentes de clubes envolvidos, entre os quais o presidente do Santos, Modesto Roma Jr.

Mediação

Além da campanha SP contra o Racismo no Esporte, a chefe da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena enfatizou o papel exercido pelo Estado na mediação de conflitos relacionados a denúncias de casos de racismo.

Entre os casos em que a Coordenação teve papel fundamental, está o ocorrido na Animale, uma das principais lojas de grifes da Oscar Freire, nos jardins, em que um menino negro de 8 anos, filho do americano Jonathan Duran, radicado há 19 anos no Brasil, morador da Zona Oeste de S. Paulo, foi expulso por seguranças, que o confundiram com um menino de rua.

“O meu filho e eu fomos expulsos da frente desta loja enquanto eu fazia uma ligação telefônica porque, em certos lugares em S. Paulo, a pele do seu filho não pode ter a cor errada”, escreveu Duran, à época, em sua rede social.

A família do garoto constituiu o advogado Antonio Carlos Arruda, que entrou com representação nas esferas civel, criminal e administrativa, com base na Lei 14.187/2010, a Lei que pune a discriminação na esfera administrativa, e que só existe em S. Paulo.

Outro foi o do menino Lucas Neiva em que a Escola de Ensino Fundamental Jardim Cumbica, de Guarulhos, cidade da região metropolitana da Grande S. Paulo foi condenada a pagar multa de 5 mil UFESP´s, sigla da Unidade Fiscal do Estado – o equivalente a R$ 106.250,00 – também por discriminação, com base na Lei.

A diretora da Escola, Alaíde Ugeda Cintra, segundo a denúncia feita pela família do garoto, teria pressionado o menino, na época com 8 anos, a cortar o cabelo porque o garoto tinha cabelos crespos em estilo "black power" e, segundo a Escola, deveria "ter um corte adequado". O caso aconteceu no final de 2013 e está sendo apurado em processo que tramita na 5ª Vara Criminal de Guarulhos, sendo acompanhado pelo advogado Sinvaldo Firmo.

Como resultado, e também como consequência da intervenção e mediação da Coordenação, tanto no Caso Animale quanto no Caso Lucas Leiva, – respectivamente, a família e a Animale e a Escola– passaram a dialogar, baseados nas medidas e punições previstas na Lei e buscando a adoção de medidas para que tais situações não se repitam.

“O mais importante na nossa atuação é que não basta a denúncia. A denúncia é, sim, importante, mas não podemos ficar nisso. É fundamental que medidas sejam tomadas para que tais fatos não mais se repitam e acho que isso se consegue pela via do diálogo e do entendimento”, concluiu.

Veja o vídeo do lançamento da campanha SP contra o Racismo.

https://youtu.be/XNtsxJKtBro

Da Redacao