S. Paulo – A escolha da presidente do Conselho da Comunidade Negra pela Secretaria de Justiça do Governo de S. Paulo, para representar o Poder Público na Conferência Nacional de Promoção da Igualdade, será a primeira dificuldade a ser contornada pelo secretário Luiz Antonio Marrey, da Justiça, a quem agora está subordinado o Conselho.
O conselheiro e integrante do colegiado na Comissão Organizadora da Conferência Estadual, encerrada nesta sexta-feira, João Carlos Benício, reagiu com indignação à escolha de Elisa Lucas. “Elisa poderá até ir a Brasília como servidora estadual, mas não representando o Conselho. Não fomos ouvidos a esse respeito. Não tomamos nenhuma decisão e se isso se confirmar é mais uma imposição”, afirmou.
Benício, que já foi coordenador da CONE/SP – o órgão da Secretaria da Justiça que trata das políticas para a população negra, no âmbito do Município de S. Paulo – atualmente coordena a Comissão da Diversidade, da Secretaria do Trabalho da Prefeitura.
No final do mês passado, indignado com as declarações do secretário Lobo, de que ações afirmativas só em 500 anos (declaração posteriormente corrigida por Lobo que passou a atacar conselheiros e esta Afropress)- ele desligou-se do Partido, em protesto, decisão que foi seguida por ativistas negros também filiados ao PSDB, no interior do Estado.
Coordenadoria
Também passou a ser motivo de polêmica a designação, pela Secretaria da Justiça, do nome que ocupará o cargo de Coordenador, da Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena, criada pelo decreto 54.429, do governador José Serra, publicado poucas horas antes da abertura da Conferência Estadual. A criação da Coordenadoria chegou tarde, a julgar pela decisão da Conferência Estadual, que Marrey prometeu ouvir, de reivindicar a reforma do Conselho e a criação de uma Secretaria Estadual.
O maior argumento em defesa de um órgão gestor com orçamento e capacidade de gestão, é que Serra já criou a Secretaria para os Portadores de Necessidades Especiais e do Idoso, e continua ignorando que S. Paulo tem a maior população negra do Brasil, em números absolutos com 12,5 milhões de afro-brasileiros.
Um dos nomes que passou a ser cogitado – o da atual coordenadora da CONE/SP – Maria Aparecida de Laia,filiada ao PSDB e que foi uma das interlocutores do Secretário Reis Lobo na mais recente crise, enfrenta enormes resistências, inclusive, entre os negros tucanos.
À falta de quadros tucanos para assumir o novo órgão, o Secretário da Justiça, Luiz Antonio Marrey, teria como alternativa Roberto de Oliveira, o Beto, – um dos organizadores da Conferência – que é, no entanto, da UNEGRO, entidade que reúne os negros do PC do B.
Um outro nome que passou a ser lembrado é o do advogado Antonio Carlos Arruda (foto), ex-presidente do Conselho da Comunidade Negra do Estado, e citado por Lobo como amigo – juntamente com Hélio Santos e a própria Laia – na carta em que invocou sua trajetória de compromisso em defesa dos discriminados e marginalizados.

Da Redacao