Agora, passada uma semana da Virada Cultural, temos condições ainda melhores de avaliar os acontecimentos. Nessa altura, já foi possível notar a forma como o hip-hop foi tratado, bem como, entendemos que, seja lá com o que for que tentam nos prejudicar, é institucionalizado e esta alocado em diferentes secretarias e ministérios do Estado.
Nesse tempo já ficamos sabendo das notificações do poder público proibindo a participação de algumas pessoas no evento, constatamos que o único lugar onde havia revista policial era o “nosso” e percebemos também que, como bem comparou a poetiza Elizandra em seu artigo da semana passada para o site “Vermelho”, o Baile Chique, poderia ter virado um verdadeiro Chiqueiro caso chovesse naquele dia, uma vez que esse foi o único palco localizado numa
área de “chão batido”, um lugar tão distante dos outros shows espalhados pelo centro que nem mesmo é possível entender quais foram os motivos de levar o palco para aquele lugar. Nem mesmo se levarmos em conta os acontecimentos do ano anterior se justificaria o local escolhido, uma vez que com o efetivo de policiais presentes esse ano, junto com o fato de que ninguém podia entrar com bebidas e com os procedimentos adotados para a “segurança” do publico seria possível fazer o show novamente na Sé sem problemas.
Tendo todos esses fatores em mente e o sentimento de revolta já consolidado, parece que estamos num momento oportuno para tomar as ruas com um grito de revolta e um pedido de respeito.
Nesse sentido, parece justo e bastante lógico que nosso espaço na 5ª edição da Virada Cultural não seja mais desrespeitado como vêm acontecendo há diversas edições do evento. O que estamos propondo é que haja participação de quem freqüenta esses espaços no planejamento da atividade e também que tenha shows de grupos de rap dentro do teatro municipal da cidade.
A idéia é simples: em 2009, é a vez do rap no municipal!
Vamos colocar essa idéia na rua, temos um ano inteiro para brigar por direitos e para conquistar o respeito que o Estado deve a cultura hip-hop.
Procure pelos fóruns de hip-hop, chegue junto das associações e das organizações que fazem acontecer, leve essa idéia para frente e vamos debater o tema a fim de amadurecê-lo. Envie suas sugestões, faça rimas falando disso, mas não permita que um Estado autoritário que acredita ter o poder de vida e morte sobre a cultura dos seus cidadãos atropele tudo a sua frente.
G.U.E.T.U

Haroldo Nascimento