Sou Negro. Em caso de emergência, não deixe a Polícia me socorrer.

Indignado, leio nos jornais que o ministério público (em letra minúscula, mesmo) se posicionou favorável à libertação dos policiais que arrastaram e assassinaram Cláudia Ferreira da Silva, no último domingo.

A imprensa insiste em qualificá-la como auxiliar de serviços gerais, ao invés de dar a dimensão real de sua importância: uma mulher negra, trabalhadora, mãe de oito filhos (quatro biológicos e outros quatro, do coração). Na tentativa de atenuar o crime (????), as novas versões da imprensa dizem que os “Puliças” estavam socorrendo a mulher, ao ser baleada com um tiro de fuzil no peito.

O promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, que atua junto à Auditoria de Justiça Militar, opinou favorável ao pedido de liberdade dos acusados feito pelos advogados. Ele sustenta que a investigação precisa identificar ainda se Cláudia estava viva no momento em que foi colocada na caçamba na viatura.

 “Se estava com sinais vitais, houve transgressão disciplinar pela maneira como foi colocada. Se ela estava morta, não há crime, mas eles podem responder por fraude processual por não ter preservado o local.”

Para as instituições deste Estado que mata, dona Claudia, era só mais uma Silva, que a estrela não brilha. Com esta atitude, o ministério público (em minúsculo) mostra que se tornou incapaz de defender a sociedade do arbítrio do Estado, da violência da polícia, sendo incapaz de defender a cidadania.

Portanto, peço encarecidamente a todos os meus amigos: como sou negro, estou vulnerável a esta política genocida, correndo o risco de ser “socorrido” pelos mesmos “puliças” que “socorreram” dona Cláudia. Em caso de emergência, se não puderem ajudar, não deixem a polícia me socorrer.

Nota da Redação:

P.S. A idéia da camiseta também é do autor.

Marcelino Conti