S. Paulo – A demissão de toda a equipe de produção e pré-produção – cerca de 50 profissionais – da TV da Gente esta semana provocou o ressurgimento de boatos do encerramento definitivo do Projeto, do empresário e cantor, José de Paula Neto, o Netinho.
A vice-presidente da TV, jornalista Conceição Lourenço, confirmou as demissões, porém desmentiu que a TV da Gente esteja chegando ao fim. “Não encerramos as atividades. Tudo o que está acontecendo é natural em qualquer empresa nova. Crise financeira, reestruturação. Não há surpresa são mudanças perfeitamente naturais”, explicou.
Conceição anunciou a transferência das operações de São Paulo para Salvador e garantiu que no prazo de dois a três meses a TV volta a produzir e gravar novos programas. Segundo garantiu, o escritório da Marechal Deodoro, antigos estúdios da Globo, continuará aberto. O diretor geral de produções, Gil Latoreira, afirmou que os programas serão reprisados. A TV que começou no canal 50 pode ser sintonizada pelo canal 24 UHF e pelo Canal 300 da TVA.
Conceição reconheceu as dificuldades e admitiu a redução do quadro de pessoal de 200 profissionais para “cerca de 20”. A primeira onda de demissões aconteceu em fevereiro do ano passado. Na época, o próprio Netinho disse que a situação se normalizaria no prazo de dois a três meses.
Crise
A TV da Gente entrou no ar no dia 20 de Novembro de 2.005, lançada por Netinho em solenidade que contou com a presença da ministra Matilde Ribeiro, da Seppir, representando o Presidente Luis Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo e do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.
Quando começou a operar funcionava nos estúdios da antiga TV Manchete, na rua Ida Kolb, bairro da Casa Verde, cedidos por contrato pelo empresário-deputado Celso Russomano, e com sinal da TV Bandeirantes.
Rompido o contrato com Russomano, a TV passou a funcionar na Marechal Deodoro, passando a usar o canal 24 pertencente a pastores evangélicos.
Lançada por Netinho com a proposta de ser “a primeira emissora brasileira a destacar a pluralidade racial e cultural do país”, o canal teve investimento inicial de R$ 12 milhões, incluindo equipamentos, programação e contratações do elenco e staff. Do total, 25% foi investido por empresários angolanos, ficando o restante sob a responsabilidade da JPN Produções, empresa pertencente a Netinho e a parceiros.
Saudada com entusiasmo por lideranças do Movimento Negro, o projeto, contudo, vive em crise desde o lançamento, com dificuldades de captação de recursos no mercado publicitário e com uma gestão pouco transparente.
O Conselho Geral da Programação, que se propunha a ser uma ponte com lideranças do Movimento Negro, formado por 12 Sub-Conselhos e com a participação de expressivas lideranças paulistas, jamais se reuniu depois de instalado.
Procurado pela Afropress, na semana passada para falar sobre o porque o Conselho nunca se reuniu, o professor Dagoberto Fonseca, do Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão (Nupe), nomeado por Netinho para presidir o órgão, não retornou.

Da Redacao