Sua trajetória de vida é admirável: órfã de mãe na adolescência, trabalhou como empregada doméstica para ajudar a criar as irmãs mais novas, em Osasco (grande São Paulo), sem nunca parar de estudar. Completado o ensino médio, ingressou em Serviço Social, na PUC/SP e, como recepcionista na CET(Companhia de Engenharia de Tráfego, da Prefeitura Paulistana), conseguindo concluir a Faculdade. O esforço para trabalhar e estudar, morando na periferia e cuidando das irmãs foi mais que hercúleo. Foi Zumbíaco: de 3 a 5 horas de sono por noite. Posteriormente, concluiu o Mestrado na PUC e trabalhou em ONG feminista. Ingressou na Soweto – organização negra e no Fórum de Mulheres Negras. Esteve em Beijing, na Conferência Mundial de Mulheres e em Durban, na Conferência Mundial contra o Racismo. Trabalhou no Instituto Cajamar e na Coordenadoria de Promoção das Mulheres, na Prefeitura de Santo André. Participou da elaboração do Programa de Governo do Presidente Lula e da equipe de transição, em 2002. Nomeada Ministra Extraordinária da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Presidência da República, participou de todas as Conferências Estaduais e do Distrito Federal, que culminou na vitoriosa Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, de 2.005. Agora, seus opositores tentam derrubá-la dando destaque, fora do contexto, a trecho da entrevista que Matilde Ribeiro concedeu a BBC. Beira à covardia: plantaram em emissoras de TV e em outros veículos a ‘armação’ de ‘racismo às avessas’, afirmando que a Ministra estaria incentivando o racismo dos negros contra os brancos. Que ironia ! Matilde Ribeiro sempre foi a mais serena de todos nós, ativistas e entusiastas da promoção da igualdade, bem maior expresso em nossa Constituição republicana e cidadã. Talvez as lembranças das injustiças cometidas por seus ancestrais contra os negros escravizados incomodem os escravocrata-descendentes; as reações dos escravizado-descendentes não sejam só sorrisos. O que é certo é que a Ministra não tem porquê se retratar, falou verdades sobre a história do nosso país… Por isso, na exigüidade de tempo que a política e a mídia às vezes nos impõe, escrevemos este pequeno artigo com a convicção de que a armadilha preparada para a Ministra Matilde Ribeiro, por interesses nem sempre legítimos, resultará em seu fortalecimento, eis que as Casas Legislativas e outras instituições prestarão a homenagem a quem demonstrou, nestes 4 anos à frente da Seppir, que o cargo de Ministra pode ser exercido com competência, visibilidade, altivez e dignidade. Suas ações à frente da pasta foram norteadas pelo atendimento das reivindicações históricas dos quilombolas, do movimento negro e de outros setores discriminados (ciganos, indígenas, árabes-palestinos, judeus, asiáticos, entre outros). Matilde Ribeiro é o melhor exemplo que conhecemos em nossa História de desprendimento no exercício de cargo público e de conduta serena, pois, como nos ensinou o filósofo Norberto Bobbio, a serenidade é uma virtude fraca, mas nem de longe é uma virtude dos fracos. Continuar a luta por promoção da igualdade racial é lutar por justiça, e justiça é a primeira condição de Humanidade. A melhor timoneira do barco da igualdade, que se contrapõe ao navio negreiro, ainda é a Ministra Matilde Ribeiro, que, Oxalá, será confirmada pelo Presidente e Estadista Luiz Inácio Lula da Silva.

Celso Martins Fontana e Vicente Cândido