S. Paulo – Acusados pelo Ministério Público do Trabalho, desde 2.005, de discriminar negros e mulheres, os banqueiros reagiram lançando, nesta quarta-feira (02/04), por intermédio da Federação Nacional dos Bancos, a poderosa Febraban, o Mapa da Diversidade.
O Mapa, segundo garantem, pretende valorizar a diversidade nas instituições financeiras do país, com base na educação e prevê a realização de um censo com 400 mil bancários, de 16 instituições para identificar as relações entre ascenção profissional e gênero, etnia e porte de deficiências. Foi preparado pela professora Cida Bento (foto), do Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades (CEERT), contratada pela Febraban também para realizar um censo que começa na semana que vem e será seguido, de acordo com o presidente Fábio Barbosa, por uma política de inclusão no setor. “O que aprendermos, vamos compartilhar, e quem quiser dividir algo conosco será bem-vindo”, afirmou Barbosa, ao abrir o evento de lançamento no Hotel Inter-Continental, da Alameda Santos, em S. Paulo.
Na mesa, além de Bento, representantes do Ministério do Trabalho e do Ministério Público, além da representante da OIT, no Brasil, Laís Abramo, que exaltou o caráter “voluntário” da iniciativa dos bancos.
Valorizar diferenças
O presidente da Febraban abriu o evento falando da importância do tema, que ele pretende que entre no dia-a-dia dos bancos. “Igualdade de oportunidades é sinal de uma sociedade evoluída”, disse. “E o Brasil ainda tem muito o que evoluir.” Para Barbosa, uma equipe com pessoas de diferentes perfis trabalha melhor. “A diferença traz a riqueza, pois as visões de mundo são complementares”, acrescentou.
A expectativa da Federação é inspirar iniciativas semelhantes em outros setores da economia. “Só o sistema financeiro é pouco, mas, se cada um cuidar do seu redor, podemos mudar muito”, afirmou Barbosa. O segmento financeiro emprega cerca de 2% de toda a força de trabalho do País.
O café da manhã foi encerrado com o Show da Diversidade, vídeo em que o ator negro Ailton Graça entrevista a atriz Solange Couto e a secretária da Secretaria dos Portadores de Deficiência de S. Paulo, Mara Gabrilli. Em formato de programa de auditório o show da diversidade tratou do tema sem abordar questões sensíveis como o fato de, em São Paulo, onde o setor bancário emprega 64.750 pessoas, os negros representarem apenas 7,9% do total.
Representantes da Rede Educafro, entidade que chegou a promover a invasão de agências no ano passado para protestar contra a exclusão de negros, estiveram presentes. Segundo o advogado Cleyton Borges, do setor de Políticas Públicas e Ações Afirmativas da Educafro, a iniciativa da Febraban é positiva. “Fizemos uma enorme força para que isso acontecesse e vamos continuar cobrando soluções”, disse Borges. “Vemos a iniciativa da Federação como extremamente positiva, desde que entendida como um primeiro passo de muitos outros, urgentes e necessários”, afirmou.

Da Redacao