Joinvile/SC – Empresas de Joinville – a cidade mais populosa de Santa Catarina com cerca de 500 mil habitantes – estão privilegiando nos processos de contratação, homens brancos de 25 a 35 anos, violando abertamente o Estatuto da Igualdade Racial – Lei 12.288/2010 – que proíbe e pune com penas de multa e de prestação de serviços à comunidade quem “em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento de trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas atividades não justifiquem essas exigências”.

A prática discriminatória das empresas catarinenses foi noticiada pelo jornalista Claudio Loetz, que assina a coluna Livre Mercado, de análise sobre negócios e tendências econômicas no jornal “A Notícia”. Citando dados do vice-presidente da Assosociação Brasileira de Recursos Humanos em Santa Catarina (ABRH-SC), Pedro Luiz Pereira, o jornalista, em tom de total naturaldidade, informa que “o perfil ideal de trabalhador procurado é homem, branco, de 25 a 35 anos de idade”. Acrescenta que as 7 mil vagas em aberto nas empresas de Joinville “em parte não são preenchidas porque os candidatos não tem as habilidades e competências necessárias”.

O art. 60 do Estatuto que modificou a Lei 7.716/89 – a Lei antirracismo – estabelece no seu parágrafo 2º que “ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento de trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas atividades não justifiquem essas exigências”. Santa Catarina é o Estado com menor população negra no Brasil – apenas 11% – de acordo com dados do Censo do IBGE 2010.

Reações

No blog do jornalista (Blog do Loetz) não demoraram as reações à notícia por parte de leitores indignados. “Branco? Como uma empresa vai anunciar a vaga com uma preferência dessas?”, questiona Fernando, um leitor.

Por sua vez, Juliana Wilke manifesta estranheza; “Loetz, como jornalista sempre fui sua seguidora e me inspirastes várias pautas, inclusive, mas não pude deixar de comentar esta nota, no que te referes à preferência dos trabalhadores “homem, branco, de 25 a 35 anos de idade”. Sei q só estás reproduzindo a informação, mas há de convir que ela está recheada de preconceito, de gênero, idade e o mais grave, de raça. Aliás, gostaria de saber dos empresários joinvillenses, em que difere o potencial de um branco do de um negro”, escreveu.

Sérgio Zeh, outro leitor, questiona a prática racista: “O perfil ideal (?) de trabalhador procurado é homem, BRANCO, de 25 a 35 anos de idade.” Estou 13 anos fora de Joinville, e não sabia que o racismo está tão forte em Joinville. É permitido por lei o empregador pedir este “perfil ideal”?

Por sua vez Cássia Eskelsen e Francisco Nascimento protestam: “E depois dizem que não existe racismo no Sul”, aponta o primeiro, enquanto Nascimento conclui: “Lamentável o perfil exigido “branco” nos dias de hoje. Racismo é crime e vergonha”.

 

Da Redacao