S. Paulo – A Justiça de São Paulo condenou a empresa Intercontinental Transportation Ltda., a pagar R$ 6.188,00 a recepcionista Renata Ribeiro de Almeida, porque um dos seus chefes e colegas tinham o costume de chamá-la de “macaca”, “burra” e “analfabeta” no local de trabalho, entre 2.005 e 2.006. A Justiça entendeu que xingamentos como “macaca” tinham conotação racista pelo fato da recepcionista ser negra.
Além da indenização, a empresa ainda foi condenada a pagar valores referentes aos direitos da recepcionista no período de cerca de um ano em que trabalhou sem registro, além das custas do processo. Roberto de Azevedo, advogado da Transportadora, disse que a empresa “não teve tempo para preparar bem sua defesa” e vai recorrer.
Renata disse que tinha dúvidas sobre se valia à pena entrar com a ação. “Duvidei muito que conseguiria ganhar a causa, mas não custava tentar. Aguentar aquilo era horrível”, disse. Ela hoje é recepcionista de um salão dos Jardins, área nobre de São Paulo, freqüentada por atrizes como Mariana Ximenes e Denise Fraga.
Ex-funcionárias da Intercontinental, que testemunharam na ação, contaram com detalhes os xingamentos por parte de um dos chefes e colegas. “Quando eu virava as costas, aí é que a coisa piorava mesmo. As ex-colegas repetiram expressões usadas, como “imprestável” e “aquela macaca não sabe fazer nada”, contou a recepcionista.
Segundo o advogado Marco Antonio Zito Alvarenga, presidente da CONAD – Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB/SP -, processos por racismo ainda não são muitos, mas a sociedade está começando a entender que tem direito à reparação.
A advogada Ana Bárbara Costa Teixeira, que entrou com a ação, disse que uma das dificuldades que, normalmente sofrem vítimas desse tipo de crime, é a falta de provas. “No caso da Renata, as testemunhas foram muito enfáticas, o que foi fundamental”, comentou.
Renata sonha em cursar Serviço Social e disse que nunca antes havia sofrido agressões racistas no ambiente de trabalho. “O que acontece, de vez em quando, é a pessoa te olhar de cima a baixo numa entrevista de emprego, e aí te dizer: “Não tem vaga”, contou.

Da Redacao