S. Paulo – O “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas”, lançado pelo Instituto Ethos e o Ibope Opinião, nesta terça-feira, em solenidade na sede do Banco Real, na Avenida Paulista, apenas confirma o que outros indicadores apontam: embora se constituam num contingente de 87,4 milhões de brasileiros (12,3% pretos e 87,4% pardos), a percentagem de negros cai de 26,4% no quadro funcional para 3,4% no quadro de diretoria das empresas.
A representação é menor do que a das mulheres e vai diminuindo quanto mais elevado é o nível hierárquico, mesmo se constituindo em 46% da população economicamente ativa e 47% da população ocupada. A participação das mulheres nos quadros de diretoria chega a 10,6%.
No caso da mulher negra a situação é ainda pior, revelando com todas as cores o tamanho do racismo institucional: ela representa 8,2% das mulheres gerentes e 4,4% das diretorias, enquanto que as brancas, nesses mesmos níveis hierárquicos detém 89% e 94% dos postos ocupados por mulheres.
Um fato que é destacado pelos organizadores da pesquisa é o de haver mais mulheres gerentes de raça ou cor amarela (2,7%) do que de raça ou cor preta (0,6%) e igual porcentagem de diretoras desses dois segmentos (1,6%) apesar de, na população brasileira, as de raça ou cor amarela terem uma participação bem menor, de menos de 0,5%, enquanto que as de raça ou cor preta representarem cerca de 3%.
O lançamento da Pesquisa 2.005 contou com a presença na mesa do presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, de Ana Pelliano, do IPEA, de Luís Galvão, professor da Fundação Getúlio Vargas, Vera Soares, da Secretaria Especial de Mulheres, Antonio Pinto, da Seppir, e Ana Cláudia Farranha, da OIT.
Na platéia pesquisadores e ativistas do Movimento Negro, entre os quais, os professor Hélio Santos, do Instituto Brasileiro da Diversidade (IBD) e Reinaldo Bulgarelli, da consultoria Txai Cidadania e Desenvolvimento Social. Também Eduardo Pereira Neto e Thiago Tobias, da Rede de Cursinhos Educafro.
A pesquisa realizada, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV-EASP), o IPEA, a OIT, o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para Mulher e apoio institucional da Interamerican Foundation e patrocínio da CPFL Energia, Libra Terminais e da Philips do Brasil, é o único levantamento desse tipo no Brasil e se constitui numa referência, desde sua primeira edição, em 2.001, mas especialmente, a partir da edição de 2.004, quando passou a abordar informações sobre todos os níveis hierárquicos e abordar ações afirmativas implementadas pelas empresas da amostra.
Foram ouvidos funcionários e dirigentes das 500 maiores empresas do país, de acordo com o Valor, edição especial do Jornal Valor Econômico, no período entre 1º de agosto e 15 de novembro do ano passado. Ao todo 119 empresas responderam – cerca de 24% do universo pesquisado, o que representa, segundo Grajew uma taxa de retorno bem superior a media registrada em pesquisas com executivos que costuma ficar entre cinco% e 10%. No levantamento de 2.003, a taxa de respostas chegou a 49,4%.
No encerramento Grajew e Paulo Itacarambi, responsável pela direção editorial da Pesquisa, prometeram estendê-la às empresas associadas ao Instituto Ethos.
Veja a Pesquisa

http://www.uniethos.org.br/_Uniethos/documents/Diversidade2005_web.pdf

Da Redacao