S. Paulo – A divulgação pelos jornais dos valores da indenização paga a Diógenes da Silva e Andréa da Cruz Pereira, pais do menor T., por iniciativa do Grupo Pão de Açúcar, representou a quebra de uma das cláusulas do acordo assinado em março passado, com a família. Uma das cláusulas do acordo extra-judicial impunha o sigilo dessa informação.
Contraditoriamente, foi o próprio Pão de Açúcar quem violou a cláusula ao pedir a anexação dos termos do Acordo ao Inquérito Policial, que não tramita em segredo de Justiça. O Jornal “O
Estado de S. Paulo” deu em manchete na edição de 21 de julho passado. “Supermercado paga 260 mil a criança que sofreu racismo”.
A posição da empresa foi recebida com estranheza por advogados ouvidos por Afropress para quem a violação da cláusula só pode ser explicada como uma tentativa de interferência na condução das investigações.
“Mesmo que pretendessem juntar o Acordo ao Inquérito, no mínimo, deveriam ter se precavido pedindo a tramitação em segredo de Justiça”, afirmam.
Segundo o advogado da família do menor, Dojival Vieira, que participou das negociações, a cláusula é padrão nesses casos e visa a defesa dos interesses também da vítima.
“Ao mesmo tempo em que estou surpreso, também me preocupa o fato da divulgação de valores dessa forma por iniciativa da empresa que deveria ser também interessada em preservar a informações e também por óbvias razões de segurança do meu cliente”, afirmou

Da Redacao