Salvador – A criação de um Comitê de Gestão de Negócios Brasil/África foi a principal resolução do Colóquio promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e Governo da Bahia para intensificar as relações – nos campos comercial, econômico e cultural – com os 54 países africanos.
O Encontro, além de autoridades do governo e dirigentes de empresas, reuniu treze embaixadores africanos durante dois dias (26 e 27/10) no Hotel Stella Maris. Segundo o coordenador Nacional da Associação Nacional do Coletivo de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros, João Bosco Borba, o encontro foi um marco nas relações com a África. “A proposta do Comitê será encaminhada para que seja respaldada pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e assumida pelo Governo brasileiro”, afirmou.
Falta de voos
Além de propostas para aumentar as relações comerciais e a integração cultural, quase todos os participantes das mesas de debates concordaram que um dos maiores entraves ao aumento das relações comerciais é a falta de ligação aérea regular com o continente africano.
O embaixador Pedro Luiz Rodrigues, diretor da Secretaria de Relações Internacionais da Presidência do Senado e ex-embaixador na Nigéria, disse que “as empresas aéreas brasileiras se mostraram até o momento, incapazes de assumir o desafio de voos regulares para a África, apresentado pelo próprio presidente da República”.
As ligações aéreas são restritas a um vôo diário S. Paulo/Luanda pela companhia angolana TAAG. Um outro vôo diário feito pela companhia Amirates liga S. Paulo a Joanesburgo, na Africa do Sul. Há ainda o voo ligando Cabo Verde a Fortaleza, duas a três vezes por semana.
O representante da ANAC, Carlos Eduardo Pereira Duarte, informou que a solução do problema da ligação aérea, não é simples. O Brasil, segundo ele, tem acordos com 13 países da África e das 103 freqüências, apenas doze são utilizadas. Quarenta acordos possíveis ainda não foram negociados.
Ele destacou que há necessidade de se eliminar restrições de rota e capacidade e tipo de aeronave. A outra solução seria a adoção de algum tipo de subsídio. “Isso esbarra em um problema, o Governo brasileiro só pode subsidiar empresas brasileiras; é preciso ver como os Estados africanos vêem tais questões”, afirmou.
Boa vontade
O embaixador da Nigéria, Kayode Garrik, disse esperar que a política do governo brasileiro de considerar a África uma prioridade continue e destacou o clima de boa vontade para o estabelecimento de parcerias. “Existe um sentido genuíno de admiração pelo que o Brasil conseguiu nos anos mais recentes. Se o Brasil fosse polígamo teria 54 esposas africanas”, disse numa alusão ao número de países no continente e para demonstrar “o clima de boa vontade que o Brasl encontra hoje na Africa”.
Já o embaixador do Senegal, Fodé Seck, lembrou que as empresas que já estão operando na África como a Petrobrás e a Odebrecht superaram os mitos de que a África é muito longe do Brasil.
Thomas Bvuma, o embaixador do Zimbábue, lembrou as dificuldades para que as empresas africanas comprem produtos do Brasil, por falta de capital e linhas de crédito. E enfatizou a importância de que empresas pequenas e médias sejam encorajadas a buscar oportunidades na África.
Programas sociais
Os participantes também destacaram a importância de se assegurar nas relações econômicas entre Brasil e África, o cumprimento dos direitos fundamentais do trabalho como a erradicação do trabalho infantil e a garantia de acesso a programas sociais.
O diretor-executivo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Assane Diop, disse que o Brasil tem demonstrado que é possível fazer políticas públicas por um custo razoável para melhorar a vida das populações. “Devemos fortalecer a parceria entre Brasil, a OIT e África”, destacou.

Da Redacao