Brasília – Chefes de Estados de 14 países da América Latina e Caribe já tem presença confirmada no Encontro Ibero-Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) marcado para os dias 16, 17, 18 e 19 de novembro em Salvador, Bahia. Além dos chefes de Estado, participarão do Encontro 100 representantes da sociedade civil desses países.
Segundo Edson França (foto), coordenador geral da UNEGRO (União de Negros pela Igualdade) e membro da Comissão organizadora da Reunião Preparatória para o Encontro, o Brasil terá 250 lideranças que estarão em Salvador representando a sociedade civil. “O Brasil é uma referência nas políticas públicas de combate ao racismo, apesar de ainda haver muito a ser feito”, afirmou.
No primeiro dia da reunião, para a qual foram convidadas representantes de entidades de vários Estados, inclusive a Afropress, os participantes ouviram exposições da professora Edna Roland, relatora da III Conferência Mundial Contra o Racismo, realizada em Durban, África do Sul, em 2001, da ex-ministra da SEPPIR, Matilde Ribeiro, e do secretário executivo da atual gestão da Secretaria, Mario Lisbôa Theodoro.
No período da tarde foi aprovado o Regulamento da Reunião Preparatória, depois de quase quase quatro horas de discussões; em seguida, os participantes se dividiram em cinco grupos para discussão de temas e propostas para serem levadas pela delegação brasileira ao Encontro.
Para este domingo, além das propostas, será votada a Carta da sociedade civil, a ser encaminhada aos participantes do Encontro Íbero-Americano.
Exclusão
Apesar de haver consenso quanto a importância do Encontro, lideranças negras não alinhadas com a atual gestão da SEPPIR, questionam o fato da reunião preparatória convocada pelo Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), significar uma manobra para restringir a presença da sociedade civil em Salvador.
Para essas mesmas lideranças o formato como o processo vem sendo discutido, vai permitir a presença na Bahia, apenas dos que estão conduzindo o processo, excluindo-se a possibilidade de participação do movimento negro que não está articulado em Organizações Não-Governamentais, como é o caso do Movimento Hip Hop.
“É como o governo pretender dizer quem é sociedade civil. O CNPIR não representa a sociedade civil, porque a maioria das entidades não está contemplada na sua composição. Imagine-se algo parecido com o Fórum Social Mundial, em que o Estado dissesse quem teria direito à participação”, argumenta uma líder das religiões de matriz africana, que falou sob a condição de não ter seu nome revelado.

Da Redacao