S. Paulo – Entidades e lideranças negras de todo o país manifestaram solidariedade a Afropress durante o período em que esteve fora do ar por causa de ataques racistas. A educadora e ativista Cidinha da Silva, diretora do Instituto Kuanza, de S. Paulo, encaminhou Nota em que afirma que o episódio “serve para ratificarmos o quanto o racismo, na sua absoluta negação do outro, tem facetas e estratégias que recrudescem e se adequam de acordo com o espírito do tempo”. “Nos armemos contra ele”, adverte a Nota.
Veja, na íntegra, a posição do Instituto Kuanza
“Nós, do Instituto Kuanza, nos solidarizamos com a agência de notícias Afropress, nesse delicado momento em que foi novamente atacada na rede. Importante canal de informação e comunicação para a comunidade negra, a agência resistiu a ataque anterior e conseguiu um feito difícil de ser alcançado por outras organizações que sofrem a mesma “invasão”: localizar o infrator/racista virtual.
Nunca antes em toda a breve história do mercado de tecnologia da informação se registrou tantos ataques de hackers racistas em sites de organizações negras. Não existe uma estatística oficial sobre os crimes virtuais realizados, mas, em geral, sabemos que a vigilância racista está cada vez mais atenta, à espreita de sítios virtuais para que destilem todo o seu ódio racial.
Este lamentável episódio com o site da Afropress serve para ratificarmos o quanto o racismo, na sua absoluta negação do outro, tem facetas e estratégias que recrudescem e se adequam de acordo com o espírito do tempo. Nos armemos contra ele. Vida longa para a Afropress, um dos nossos pontos de referência na web!”
O ativista Eduardo Rosa, da Organização Rosas Negra, de Mauá, no ABC paulista, disse que os ataques são atitudes covardes daqueles que querem, a qualquer custo “calar a voz do povo preto”.
“Gostariamos de manifestar nosso repúdio pela invasão sofrida pelos irmãos da AFROPRESS em seu site. É mais uma atitude covarde daqueles que querem, a qualquer custo, calar a voz do povo preto”.
Também Ana Felippe, do Espaço Lélia Gonzalez, o advogado Humberto Adami, Alzira Rufino, da Casa da Cultura da Mulher Negra de Santos, e Marcos Romão, da Rádio Mamaterra e Quilombo Brasil, de Hamburgo, na Alemanha, manifestaram solidariedade.
“Estamos acompanhando com atenção estes fatos. Já comuniquei, inclusive a União de Jornalistas na Alemanha, pois estes tipos de crimes quando flagrados por aqui, recebem penas severas. Mantenha-nos informados”, disse Romão.
“Tenho acompanhado o caso via internet. Nós da Equipe CCMN somos solidárias com toda equipe de Afropress”, afirmou Alzira.

Da Redacao