Brasília – A situação da Ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), apontada como recordista de gastos com cartões corporativos do Governo começou a se complicar com a decisão da Comissão de Ética Pública de encaminhar o caso para ser investigado pela Controladoria Geral da União (CGU), que tem poder de investigação, ao contrário da Comissão de Ética.

Os partidos de Oposição, por outro lado, começaram a colher assinaturas para a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) tão logo o Congresso retome as atividades, após o carnaval. O noticiário negativo da ministra na mídia, por ter sido responsável pelo gasto com cartões de 171,5 mil dos 75,6 milhões efetuados pelo Governo Federal no ano passado, por outro lado, já estaria provocando desconforto no Palácio do Planalto.

“No caso dela, nós achamos que pode haver implicações legais. Ao contrário de nós, a CGU tem capacidade de investigação que nós não temos”, afirmou o presidente da comissão, Marcílio Marques Moreira. Marques Moreira foi evasivo quando perguntado se a Comissão havia encontrado indícios de crime nos gastos feitos pela ministra com o cartão corporativo: “Pode haver, mas não sabemos. Se no futuro a CGU achar que não há implicação legal nenhuma, ela retorna à comissão e aí nós poderemos ver se há ou não algum tipo de desvio ético," disse.

O presidente da Comissão de Ética Pública aconselhou os funcionários públicos a não pagar despesas pessoais com cartões corporativos. Gastos A Seppir gastou R$ 171, 5 mil reais no cartão, dos R$ 75,6 milhões gastos por outros integrantes do Governo Federal com cartões corporativos, em 2.007. Do total destes gastos, 75% foram feitos a partir de saques em dinheiro. No caso da Seppir, 95% foram feitos pela ministra, pagando aluguéis de carro, hospedagem em hotéis e resorts, padarias, bares e restaurantes de luxo. Ela também gastou R$ 461,16 em um free shop, em outubro do ano passado, dinheiro que foi devolvido, logo após o “engano”.

A devolução, no entanto, só ocorreu três meses depois, o que teria pesado na decisão da Comissão de Ética Pública de remeter o seu caso à CGU. “Ela disse que errou e corrigiu”, afirmou Marques Moreira.

A Afropress já encaminhou, por escrito, as perguntas de uma entrevista à ministra Matilde Ribeiro para falar do caso. Segundo o secretário adjunto Martvs Chagas, embora exposta na mídia de forma negativa, há quase duas semanas, Matilde só se manifestar por escrito.

Da Redacao