Os ataques mais recentes, em que racistas e nazistas invadiram o Provedor Terra – não tem ainda autoria conhecida, porém, podem estar ligados ao fato de que no dia 23/01, o estudante da UnB, processado criminalmente pela Justiça de Brasília comparecerá perante o Juiz da 6ª Vara Criminal de Brasília, como réu (veja entrevista com o Promotor Marcos Julião).
O interrogatório que, na prática marca o início do julgamento, está marcado para as 15h no Fórum do Distrito Federal. Depois de interrogado, o juiz marcará audiências das testemunhas de defesa e de acusação.
O caso de Silveira Mello é emblemático porque será a primeira vez que o Poder Judiciário, por iniciativa do Ministério Público Federal, processa alguém por racismo na Internet.
O Promotor Marcos Antonio Julião denunciou o estudante por três delitos de racismo e a pena prevista varia de 3 a 6 anos de prisão.
O primeiro ataque aconteceu no dia 30 de julho e foi assumido por Silveira Mello, com o codinome BrOk3d – o justiceiro. Em dois e-mails com data de 02 e 03 de agosto, ele ameaçava. “Pode ficar calminho que o ataque desse fim de semana só foi o primeiro de muitos. Só vou me contentar quando eu falir essa porra de afropresscomunicacao.hospedagemdesites.ws…” No segundo seguia em tom ameaçador: “Espere esse próximo fim de semana, que eu vou te mostrar o que é
seguro negão… (…) De qualquer jeito … não existe “servidor seguro” quando um maluco
tem controle de mais de 200 maquinas com links de 10/100 mbps, vc vai
cair denovo, e de novo , e sempre, até se desculpar com o que tu me fez. Vc tem até o proximo sabado pra tirar, se não, já sabe o que vai acontecer!”.
Em mensagens trocadas com outros internautas do seu grupo ele comentava os ataques.
Jornalistas da Afropress chegaram a identidade do estudante depois de rastrearem as informações fornecidas pelo Provedor Hotel da Web, de Curitiba, em que o estudante negociava um cão no site Mercado Livre, utilizando o mesmo codinome.
O suposto justiceiro, mora na 204 Sul, quadra de classe média do Plano Piloto, em Brasília, e é do tipo exibicionista o que facilitou o trabalho de investigação do MP.
Um dado que chama a atenção e que pode, segundo a Polícia, ser indício de ligação do estudante organizações neonazistas – entre as quais a White Pride e Pro Branco – é a inscrição 14/88, a qual seu nome sempre aparece ligado.
Silveira Mello foi primeiramente identificado em investigações desenvolvidas pelo Ministério Público de S. Paulo, como responsável pela manutenção de sites e mensagens em comunidades do Orkut atacando os negros e propondo resistência a adoção de cotas pela Universidade de Brasília.
A sabotagem a Afropress desencadeou uma onda de solidariedade de todo o país, não apenas de organizações e lideranças negras, mas também da comunidade judaica e lideranças da sociedade civil.
No ataque mais recente os agressores, que se assumem como nazi-racistas, conseguiram destruir o banco de dados de Notícias, que ainda não foi restabelecido pelo Terra, e deixaram imagens sinistras e uma foto de Hitler.
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Data: 17/1/2006
(na foto Marcelo Valle)