São José do Rio Preto/SP – Uma semana depois de ver o filho, o acadêmico de Direito, José Raimundo dos Santos Silva, 24 anos, jogado numa viatura da PM, depois de ser agredido com gás pimenta nos olhos, a dona de casa Luzvaldina Bárbara Reis dos Santos, 56 anos, aposentada do INSS, não faz segredo. “Ainda estou com muito medo. Nós somos pessoas de bem, mas o racismo é muito grande”, afirmou a Afropress.
José Raimundo é estudante do Centro Universitário de Rio Preto – Unirp – e na semana passada viveu momentos de terror e pânico numa revista policial, no bairro Boa Vista, quando retornava de uma reunião do Movimento Negro. Abordado para uma revista, ele foi agredido pelos policiais militares e ao pedir que se identificassem jogaram gás pimenta nos seus olhos e o levaram para a Delegacia, onde tentaram forjar um Termo Circunstanciado de desacato à autoridade.
Dona Luzvaldina está em Rio Preto há apenas Sete meses. Veio de Salvador, onde morava, para acompanhar o filho José Raimundo, o caçula de quatro filhos, que mora com a irmã desde janeiro de 2.003 na cidade. José Raimundo trocou Salvador por Rio Preto, onde trabalha como estagiário da Procuradoria Seccional da União, porque a família considerou que seria mais fácil terminar o Curso de Direito na cidade, uma vez que a irmã já cursava na própria Unirp, Educação Física.
Assustada pela violência e com as cenas do filho sendo algemado e jogado na viatura, sem qualquer motivo, dona Luzvaldina disse que não tem mais sossego e até passou a sofrer de pressão alta. “Nunca vi um filho numa viatura algemado chorando com a roupa suja sendo maltratado. Nós somos negros e somos pessoas de bem. Dói muito isso. Eu até tinha planos em voltar pra Salvador, mas agora não dá. Eu não vou confiar deixar meu filho. Mãe é mãe e sempre protege”, afirma.

Da Redacao