João Pessoa/PB – Ladija Tu, uma estudante da Guiné Bissau, de 23 anos, da Universidade Federal da Paraíba, foi agredida na noite da última segunda-feira (24/05), no campus da Universidade por um homem não identificado a chutes, pontapés e agressões racistas.
Ao comentar a agressão, no entanto, a delegada da 4ª Delegacia Distrital de João Pessoa, Juvanira Holanda disse que “chamar só de negro safado não é crime”.
“Não houve racismo. Para caracterizar racismo tem que ter uma série de coisas. Não é só chegar e falar “sua branca”, “seu negro” ou “seu negro safado”. Só caracteriza racismo quando, por exemplo, você impede o acesso de um negro a educação” afirmou a delegada.
Não é a primeira vez que estudantes africanos são vítimas de agressões racistas no Brasil. No dia 28 de março de 2007, estudantes africanos que moravam na Casa do Estudante Universitário da Universidade de Brasília, tiveram seus apartamentos incendiados, num episódio que por pouco não gerou um incidente diplomático.
Logo após as declarações, a delegada foi removida da condução das investigações, que estão agora sob a responsabilidade da delegada Renata de Almeida Matias, da Delegacia da Mulher de João Pessoa.
A substituição da delegada havia sido pedida pelo presidente do Conselho de Defesa dos Direitos do Homem da Paraíba, procurador da República Duciran Farena (foto), que encaminhou ofício nesse sentido ao comando da Polícia e ao secretário de Segurança e Defesa Social, Gustavo Gominho.
Violência racista
Segundo testemunhas, ao passar por um dos corredores do Centro de Educação do campus, a estudante africana foi abordada por um homem, cuja identidade não foi revelada. Depois de assediá-la, o homem teria feito gestos obscenos antes de iniciar a agressão física.
Colegas de Ladija acionaram o setor de segurança da UFPB, porém, a estudante precisou ser levada ao Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena.
Segundo a Assessoria de Imprensa do Hospital, ela levou chutes no abdômen e permanece internada em observação. O agressor, levado para a 4ª Delegacia Distrital do Geisel, prestou depoimento e foi liberado.
Solidariedade
A agressão a estudante mobilizou colegas que permaneceram em vigília aguardando notícias da amiga. Sergi Katembera, 24 anos, que é do Congo, explicou que os colegas não puderam ter acesso ao interior do hospital.
Sergi disse também que já amanhã a comunidade africana na UFPB, em companhia de colegas brasileiros, vão decidir que tipo de protesto farão para denunciar o caso.
– Não podemos admitir que atos como este se repitam. É uma vergonha – lamentou.
Não é crime
De acordo com a delegada, o acusado negou ter chamado a estudante de negra, pois ele também diz ser negro. O vendedor afirma que a estudante o empurrou e correu atrás dele. “O que houve foi uma discussão simples” – disse a delegada.
Juvanira Holanda afirmou que a estudante foi internada no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena devido a seu estado emocional.

Da Redacao