S. Paulo – A prisão preventiva dos suspeitos acusados pelo atentado aos estudantes africanos da Universidade de Brasília, como única medida capaz de garantir as investigações e a integridade física das vítimas, está sendo proposta por estudantes africanos radicados no Brasil, preocupados com a segurança dos compatriotas. O grupo de 16 estudantes que residem na Casa do Estudante Universitário mantida pela UnB, há uma semana, voltou a viiver lado a lado com os suspeitos do ataque.
O autor da proposta é o senegalês, Amadou Diene (foto), 39 anos, estudante de Engenharia Elétrica Na USP, atualmente, no curso de mestrado na mesma matéria. Amadou é também coordenador do Núcleo de Consciência Negra na USP e ativista do Movimento Brasil Afirmativo.
“Como é que vai ficar a questão de segurança dos alunos que sofreram o atentado? Voltar lá e conviver com os mesmos suspeitos, como se nada tivesse acontecido? Há uma questão até moral nisso. Como e que se convive com suspeitos de ameaças à sua vida?”, argumenta.
Ele disse que recebeu e-mail pedindo socorro de colegas africanos, muito preocupados com a questão da segurança. “Como é que se vai fazer, sabendo que quem estava ameaçando sua vida continua no mesmo local?”, continua.
Segundo Amadou, a única medida adequada neste caso seria o pedido da prisão preventiva dos suspeitos, atitude que pode ser tomada tanto pelo delegado da Polícia Federal, Francisco Serra Azul, que preside o inquérito, quanto pelo Ministério Público de Brasília. “Seria uma medida natural até por razões de segurança. Não se pode colocar no mesmo lugar vítima e suspeito”, continua.
Amadou também questionou a posição das autoridades diplomáticas africanas. “Nós africanos queremos que elas se posicionem oficialmente. Um posicionamento público, até para dar conforto para as pessoas que estão passando por esse momento difícil e suas famílias”, acrescenta.
Nos depoimentos dados à Polícia Federal quatro estudantes foram apontados como suspeitos pelo ataque: Wagner Guimarães, da Engenharia Florestal, Roosevelt Reis, e outros dois de nome Francisco e Fredy, que já haviam se envolvido em hostilidades contra os africanos. Os três negam as acusações.
Nesta terça-feira (10/04), a Polícia Civil, que também apura o crime contra os estudantes africanos em inquérito instaurado no 2º DP da Asa Norte, ouviu o estudante Adilson Fernandes Indi, da Guiné Bissau, uma das vítimas do atentado sobre o caso.

Da Redacao