S. Paulo – Típico jovem de classe média de Brasília, Marcelo Valle Silveira Melo, foi o primeiro a sentar no banco dos réus – e tornou-se o primeiro a ser condenado pela Justiça, no Brasil – pela prática do crime de racismo na Internet. Ele se tornou um ativista na Rede Mundial de Computadores, tecnologia que gabava-se de dominar, para fazer a apologia do ódio racial e do combate as políticas de ação afirmativa em favor da população negra.
Estudante de Letras da Universidade de Brasília e também aluno de Ciências da Computação na Universidade Católica, Silveira Melo, primeiro indispôs-se com as políticas de cotas adotadas pioneiramente pela UnB, até ser identificado pelo promotor de justiça de S. Paulo Cristiano Jorge Santos, do GAECO, que rastreou na Internet grupos que se dedicavam a manter dezenas de comunidades que tinham como objetivo a prática do racismo.
Apanhado
Descoberto, em julho de 2.005, o estudante voltou todo o seu ódio para a Afropress que noticiou o resultado da investigação do promotor paulista. “Relaxa que ainda vai falir”. Olá, Pode ficar calminho que o ataque desse fim de semana só foi o primeiro de muitos. Só vou me contentar quando eu falir essa porra de afropresscomunicacao.hospedagemdesites.ws, mexeu com a pessoa errada seu bosta”, dizia ele no dia 02 de agosto, terça-feira, às 13h52, em e-mail enviado ao editor de Afropress, que no dia 30 havia sofrido sabotagem.
No dia 03 de agosto, às 14h24, nova ameaça. “Espere esse próximo fim de semana, que eu vou te mostrar o que é seguro negão, usar teu site prá fuder com o nome dos outros é legal né”… já que é assim vou mostrar do que eu sou capaz, não preciso nem te dizer quem sou eu, né? Ou preciso? De qualquer jeito… não existe “servidor seguro” quando um maluco tem controle de mais de 200 máquinas com links de 10/100 mbps, você vai cair de novo, e de novo, e sempre, até se desculpar com o que tu me fez.. Sem mais,Você tem até o próximo sábado pra tirar, se não, já sabe o que vai acontecer”.
As ameaças, inclusive, a integridade física dos jornalistas, passaram a ser investigadas em vários inquéritos, ainda não concluídos.
Incidente
Aceita a denúncia pela Justiça, Silveira Melo, tentou escapar alegando em juízo um incidente de insanidade mental, que provocou a suspensão do processo por meses, até que o Instituto Médico Legal de Brasília concluiu que, “embora portador de um transtorno de personalidade do tipo impulsivo, o réu tem preservado seu entendimento” e, portanto, é penalmente responsável, sabia o que estava fazendo.
Segundo a promotora Lais Cerqueira (foto), do Núcleo de Combate à Discriminação Racial de Brasília, a condenação de Silveira Melo terá efeito pedagógico para desestimular a prática do racismo na Rede.
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Da Redacao