Santos/SP – Cerca de 100 estudantes e ativistas dos movimentos sociais da Baixada Santista participaram na última quinta-feira (04/12), de um ato público em protesto a decisão da professora Regina Célia Spadari, diretora do campus Silva Jardim, da Unifesp, em Santos, de instaurar processo administrativo contra os alunos que acusam a direção de racismo.

A decisão de abrir processo contra os estudantes foi o desdobramento do episódio em que a diretora, acompanhada de seguranças da Universidade, "de forma abrupta e ofensiva", conforme descrição feita pelas alunas, exigiu a exibição dos crachás de identificação apenas de duas estudantes negras – Tatiane de Souza Santos e Juliana Florentino Carvalho -, antes de expulsá-las da sala de informática, onde se encontravam. 

As estudantes participavam das atividades comemorativas da II Semana da Consciência Negra "Carolina de Jesus", promovidas pelo Núcleo de Estudos Reflexos de Palmares, de 24 a 28 do mês passado – o Mês da Consciência Negra.

“Eu não posso permitir que pessoas estranhas à comunidade utilizem equipamentos do campus. Você pode entrar na Prefeitura de Santos e usar uma sala da Prefeitura? Você pode entrar no Palácio do Planalto e usar? Não é para qualquer pessoa de fora entrar e usar”, afirmou Spadari.

Boletim de Ocorrência

Em seguida, de forma seletiva, a diretora exigiu que duas jovens negras se identificassem, ignorando outras pessoas presentes. Por causa da expulsão da sala e da atitude que consideraram racista da diretora – pessoas picharam o prédio com palavras como “direção racista".

Tatiane e Juliana registraram Boletim de Ocorrência no 4º DP de Santos e o caso está sendo investigado como injúria racial prevista no parágrafo 3º do art. 140 do Código Penal, que torna crime racial a injúria quando consiste "na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência". Em caso de condenação a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.

Comunicado

No ato, os estudantes reiteraram que a atitude da diretora reproduz estereótipos racistas que vêem o negro como suspeito-padrão. Segundo ativistas que participaram do ato, com o processo administrativo e anunciar medidas punitivas, a diretora pretende desviar a atenção da sua própria atitude agressiva e pautada por estereótipos racistas. "A pichação foi consequência e não causa, como pretende fazer crer a diretora", afirmaram os ativistas durante o ato.

Ao anunciar a abertura de processo administrativo, a diretora levou o caso para a esfera pessoal e considerou ter tido sua honra "maculada" e acusou "depredação de patrimônio público, desacato à autoridade, injúria e difamação". "Todos serão apurados e os responsáveis responderão por eles", afirmou

 

Da Redacao