S. Paulo – Em meio às comemorações de mais um 1º de maio, Estudo da Fundação Seade – Sistema Estadual de Análise de Dados – da Secretaria de Planejamento do Governo do Estado, expõe os efeitos da discriminação racial na capital do Estado mais industrializado e de economia mais dinâmica do país: homens negros recebiam, em 2.006, em média, apenas 48,9% dos homens não negros – R$ 4,5 por hora trabalhada contra R$ 9,2 destes últimos.
No caso da mulher negra trabalhadora a situação de desigualdade é ainda mais aguda: ela recebia apenas 51,4% das mulheres não negras – R$ 3,7 por hora contra R$ 7,2 destas últimas.
O Estudo intitulado “Desigualdade de Gênero e Raça/Cor no Mercado de Trabalho de S. Paulo” foi elaborado a pedido da Comissão Intersecretarial de Monitoramento e Gestão da Diversidade da Secretaria doTrabalho, e tomou como base os dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) do IBGE. É o indicador mais recentes da desigualdade racial.
Segundo os dados apurados, o rendimento médio real dos trabalhadores negros era de R$ 887 contra R$ 1.475 dos homens não negros. No caso das mulheres negras, o rendimento era de R$ 621 contra R$ 997 das mulheres não negras.
A situação de desvantagem dos trabalhadores negros também se reflete no desemprego que, de acordo com a Fundação Seade “tende a atingir mais intensamente a população negra”; a taxa de desemprego entre os trabalhadores negros atingiu 18,2% na cidade de S. Paulo, contra 12,8% dos não negros. As mulheres negras sofrem ainda maior desvantagem: a taxa de desemprego entre elas superou os 20% contra 14,9% das não negras.
O Estudo também revela que a população negra ocupa parcela mínima nos postos de direção, gerência e planejamento, sugerindo que as barreiras ao ingresso nesses grupos ocupacionais, além da menor escolaridade, estão mais relacionados à raça/cor do que ao sexo.
Segundo Alexandre Loloian, coordenador de Análise de Dados da Fundação Seade, “a população negra tende a participar do mercado de trabalho mais intensamente que a não-negra, mas suas dificuldades de inserir-se na condição de ocupados são muito maiores, o que implica sua grande participação entre os desempregados”. “Em termos numéricos, nota-se que a população negra representa 34,1% da PEA (População Economicamente Ativa), mas 42,3% dos desempregados”, conclui.
1º de Maio
A discriminação contra o trabalhador negro era, até bem pouco tempo, ignorada pelo movimento sindical. Só há pouco tempo, os Sindicatos e as Centrais Sindicais passaram a considerar que o trabalho no Brasil é anterior a chegada dos imigrantes, especialmente italianos sob influência do anarquismo, que se tornaram as primeiras grandes lideranças sindicais, no início do século passado.
Nas análises do movimento sindical, o trabalhador negro, submetido por 350 anos ao trabalho escravo era ignorado, só passando a ter valor como tal, o trabalho assalariado. Ainda hoje as principais Centrais Sindicais – CUT e Força Sindical – não consideram a questão da discriminação racial como problema fundamental a explicar a marginalização do trabalhador negro. A situação se reflete nas direções sindicais, majoritariamente brancas.

Da Redacao